Episódio 38: Qual a diferença entre Lean Inception, Design Thinking e Design Sprint?

23 set 2022 | Podcast

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Eu sou o Paulo Caroli e este é o Podcast Mínimo Viável, onde compartilho conhecimento sobre as novas relações de trabalho e, assim, contribuo para a transformação de um mundo melhor.

Neste episódio do Podcast Mínimo Viável, você vai conferir um excelente bate-papo entre os profissionais Cristiane ‘Coca’ Pitzer, Luis Buchelli, Renato Borba e Vanderley Gomes, oportunidade em que abordam as principais diferenças entre Lean Inception, Design Thinking e Design Sprint e trazem exemplos de aplicação da Lean Inception em áreas que vão além da tecnologia da informação.

Vanderley Gomes: Qual é a diferença entre Lean Inception, Design Thinking e Design Sprint? Quem quer começar com essa?

Renato Borba: Eu posso começar. Primeiro ponto, quais são as diferenças entre Lean Inception, Design Thinking e Design Sprint? Todas são três métodos diferentes. Então, assim, são questões diferentes, então, vamos separar o que são cada uma delas.

Lean Inception é um método, criado pelo Paulo Caroli, onde, durante cinco dias de workshop colaborativo, com diversas práticas, que inclusive várias delas vem do Design Thinking, utilizando várias práticas nós nos alinhamos, o grupo se alinha para chegar no MVP ao final desse período. Essa é a Lean Inception.

Design Thinking é o pensamento de design, é uma forma de pensar, é um método e, talvez, eu chamando de método, assim, talvez, eu até vá ferir algumas pessoas especialistas e tudo mais, mas ele é, ele engloba uma quantidade gigantesca de técnicas e de práticas, que nos levam a pensar e a repensar a forma de fazer o design e aprofundamento dentro dos produtos.

E algumas práticas a gente têm, inclusive na Lean Inception, como o mapeamento de personas vem do Design Thinking, o mapeamento de jornadas vem do Design Thinking e diversas práticas vem do Design Thinking, que a gente utiliza na Lean Inception.

E o Design Sprint é um método também, criado na Google, por profissionais do Google para a gente, para você validar uma hipótese ao final de cinco dias. Ele é um método que usa de práticas e maneiras completamente diferentes do que a Lean Inception ou do que, exatamente, o Design Thinking utiliza para, ao final do período, você ter um produto ou um protótipo de um produto a ser validado com o público final no fim das contas.

São métodos diferentes, que eles têm uma ligação, assim, por ambos estarem num processo de validação e concepção de produto e tudo mais, mas são métodos e formas de fazer completamente diferentes. E são três ótimos, são três ótimas metodologias, três ótimas ferramentas, tanto Lean Inception, quando Design Sprint, quanto Design Thinking.

E, no fim das contas, tanto Lean Inception, quanto Design Thinking acabam estando debaixo do guarda-chuva Design Sprint, acaba estando debaixo do guarda-chuva Design Thinking, né? Porque ele é algo maior que engloba essas práticas.

Luis Buchelli: O Borba explicou com bastante assertividade ali essas diferenças. O Design Thinking ele acaba sendo um conjunto de práticas, técnicas focadas no que a gente conhece como a fase de discovery de produtos, né? A gente faz essa diferenciação, às vezes, dentro do ciclo de vida de um produto, tem o discovery e tem o delivery, tem uma parte onde você faz todo o desenho, a descoberta do produto, a imaginação, a prototipagem possível ali dentro e, depois, passa por uma parte de execução, onde você acaba construindo de fato do produto, isso pensando em produtos digitais.

E o Design Thinking ele abarca toda essa primeira parte de descoberta. O Design Sprint eu entendo assim que ele está embaixo dessa parte de descoberta. É uma ferramenta muito boa, tem algumas similaridades com Lean Inception quanto à estrutura, são cinco dias também o Design Sprint, quanto à Lean Inception, são várias técnicas utilizadas, são técnicas, dinâmicas que são executadas de forma colaborativa.

Têm algumas diferenças aí, como, por exemplo, o Design Sprint tem um papel de decisor. Na Lean Inception, não tem necessariamente esse papel de decisor. E a principal diferença que eu diria entre Design Sprint e Lean Inception é que o Design Sprint está focado na prototipagem, em criar um protótipo mesmo, né?

Então, digamos que é alguma coisa visível, palpável, que tenta limitar seu produto ali na frente. A Lean Inception já vai mais focada no MVP e no alinhamento para começar a construção do produto. Então, como o Borba comentou, são duas técnicas bem úteis, bastante focadas aí num objetivo específico. Dependendo do objetivo que você tiver, talvez vale a pena avaliar se utiliza uma outra ou complementar essas técnicas.

Renato Borba: Eu pensei em um negócio agora, até. Todos são bolos diferentes, mas ambos se tratam de bolos e podem matar sua fome, dependendo de qual seja sua fome. Então, entenda a sua fome para saber que bolo diferente que você vai fazer, né? Então, sim, são métodos que vão te ajudar.

Cristiane ‘Coca’ Pitzer: Sim, uma forma que eu gosto de explicar, pelo menos as principais diferenças, é assim. O Design Thinking ele é muito focado no usuário. O usuário ele está no centro do Design Thinking o tempo todo, em todas as etapas.

O Design Sprint ele tem um foco maior no que vai sair, né? Ou seja, no produto. E a Lean Inception ela faz uma combinação dos dois, porque ela se inicia entendendo qual que é a visão, os objetivos do negócio, alguns objetivos de negócio, aí ela foca na persona, na jornada daquela persona e, depois, ela faz a combinação desses dois para poder definir um MVP. Então, de uma forma simples, eu gosto de fazer o highlight das principais diferenças dessa forma.

Renato Borba: E conectou, também, com qual a diferença entre os três. Eu acho que é um ponto que vale a gente falar é: a similaridade entre os três é que todos visam validar hipóteses. De formas diferentes, os três pensam em validar hipóteses. Validar hipóteses são quais são seus clientes, se eles comprariam ou usariam determinado produto e eles fazem isso de maneiras diferentes.

Então, vale a pena se aprofundar em cada um dos métodos, entendendo que eles são diferentes, mas que eles atendem esse mesmo propósito de validar uma hipótese do produto.

Vanderley Gomes: Sem dúvida, pessoal. O Rafael Pacheco ele está perguntando para a gente o seguinte: É possível aplicar a Lean Inception em escritórios… jurídico, RH, administração, ou seja, fora da TI?

Cristiane ‘Coca’ Pitzer: A gente deu um exemplo aí. Eu falei do uso da Lean Inception para resolver um problema de RH, que acabou não sendo um produto digital, né? Foi um produto físico junto a um processo. O Borba deu exemplo aí de um hospital também, que usou a Lean Inception para, basicamente, criar um processo invés de um produto digital. E, no blog da Caroli, tem vários exemplos, então, resumidamente, sim, Rafa, é possível.

Renato Borba: Quando eu li a pergunta assim e tal, eu até pensei em uma resposta um pouco diferente até do que a gente deu, que a gente deu exemplos de uso, mas aí eu vou deixar um pouco mais genérica a resposta.

É possível aplicar a Lean Inception em escritórios? É possível utilizar Lean Inception em qualquer ambiente que exista um problema a ser tratado. Porque, quando a gente roda uma Lean Inception, a gente tem normalmente, a gente se baseia num problema existente e esse problema a gente vai pensar num MVP, num produto e, possivelmente no MVP, que solucione esse problema que a gente se pautou no início da Lean Inception.

Então, em qualquer ambiente em que exista um problema, onde a gente precise resolver esse problema, a gente pode utilizar a Lean Inception e eu acredito que em qualquer ambiente a gente têm problemas a serem resolvidos, ou seja, em qualquer ambiente pode ser utilizado Lean Inception.

Cristiane ‘Coca’ Pitzer: Posso dar um exemplo meu, meio doido? Eu vou fazer uma confissão aqui em primeira mão hein gente, nunca eu falei sobre isso em lugar nenhum, mas eu já usei Lean Inception para organizar a minha cozinha. Como assim, Coca?

Então, acontece que eu me mudei muito nos últimos cinco anos, desde que eu saí do Brasil. E assim: nas primeiras duas mudanças que eu fiz depois dessa grande, foi uma dificuldade enorme de organizar a cozinha. Inicialmente, era a cozinha pequena para uma família grande, nós somos cinco pessoas e quatro bichos de estimação e a gente tinha pouquíssimo espaço.

E aí, eu precisei viver o processo número um de pensar em como é que eu poderia ser eficiente na cozinha, né? Ou seja, como que eu organizaria as coisas de modo que elas fizessem sentido com um fluxo, com a jornada da persona que vai estar ali cozinhando?

Então, eu precisei pensar, por exemplo, para cozinhar uma comida, qual é a sequência? A gente primeiro pega o alimento, depois, a gente pega a panela e a gente pega o talher, a gente pega os temperos e aí eu comecei a pensar nesse passo a passo e a como as coisas poderiam estar dispostas de uma forma mais lean, mais enxuta para evitar que eu ficasse andando menos de um lado para o outro.

Então, eu pensei na persona, pensei na jornada, pensei nos objetivos que precisavam ser atingidos. Aí, depois, eu fui pensar nas funcionalidades. Nesse caso, não tem exatamente funcionalidade, porque é basicamente um processo que eu estava pensando. Mas, eram os pontos de contato entre a persona, um objetivo e a jornada, então, aonde as coisas iam se encaixar.

E aí, eu terminava essa Lean Inception, digamos assim, com o MVP, que era uma primeira arrumação, que era feita. E gente, eu tenho uma vida super busy, né? Com um monte de filho, três empregos, um monte de mentorado, não tinha muito tempo de ficar pensando e arrumando e repensando.

Então, saiu ali um MVP, uma primeira arrumação e, depois, alguns ajustes iam acontecendo. Meu marido até brinca muito. Quando a gente se muda, ele fala que vai procurar alguma coisa e ele não acha. Ela falou assim: onde que está agora? Que aí já é a segunda iteração, porque eu experimentei aquela organização inicial e vi não ficou tão prático, não ficou tão lean. E aí eu vou, eu mudo de novo. Então, está aí um exemplo de aplicação de Lean Inception na cozinha.

Vanderley Gomes: Legal, pessoal, sim, o conceito, quando você entende ali esse conceito de segmentação, de MVP, as coisas mudam, né? E esses são conceitos amplos, que você consegue usar em tudo. Então, vale a pena fazer esse teste aí, experimentar coisas, não esperar estar 100% pronto, concluído, para colocar em prática. Então, pense grande, comece pequeno, né?

Cristiane ‘Coca’ Pitzer: Isso aí… e vai ajustando.

 

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Notas do episódio:

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