Pergunta:
Como o movimento #NoEstimates se relaciona com esse livro, Lean Inception?
Resposta:
Na minha vivencia, independente de estimate ou no-estimate das histórias (ou requisitos), alguém (geralmente o cliente) quer muito e geralmente pressiona os fornecedores (ou equipe de desenvolvimento) a responder duas perguntas:
- o que?
- quando?
Temos de conseguir responder algo, e rápido. Senão a pressão aumenta e a pergunta fica cada vez mais incisiva.
No meu passado de histórias de usuário, velocity, burn-up e lead time, eu conseguia dar tal resposta depois do projeto estar (1) com o escopo todo detalhado em histórias, e (2) depois do time ter entregue uma dezena de histórias, permitindo os cálculos de velocity, lead time, e burn-up. E eu demorava muito até conseguir essas respostas.
Detalhar todas histórias consumia muito esforço e tempo. E eu nunca conheci um cliente que gostasse de esperar semanas para alguém lhe dizer uma data.
Eu mudei. Experimentei outras formas de trabalhar e alterei meu discurso para poder responder essas perguntas básicas—o que e quando?
Quando percebi que passei a seguir o mesmo padrão (e meus colegas de trabalho também), documentei (blog posts -> eBook -> livro impresso) para poder compartilhar com mais gente ainda. Essa é a Lean Inception.
Lean Inception coloca o foco no produto mínimo viável (MVP) e suas funcionalidades. Em poucos dias, não vale a pena detalhar todo escopo a nível de histórias de usuário.
Mas quem disse que o cliente (ou qualquer pessoa que estivesse interessada em entender escopo) queria uma lista enorme de histórias de usuário?
Pois bem, o canvas MVP deixa a questão do ‘O Que?’ muito mais esclarecida. Nesse canvas está muito bem descrito o escopo do MVP. Simples e direto!
Em relação a dizer uma data, mesmo sem ter semanas decorridas com histórico do trabalho realizado, DiretoAoPonto sugere o cálculo de tempo, custo e esforço fazendo um pesquisa amostral, assim como em uma eleição, entrevistando parte do universo para aprender sobre o todo. Esse é o cálculo por amostragem, onde o time detalha todas as tarefas de algumas features (amostragem), para estimar custo, tempo e esforço para fazê-las. Depois o time extrapola esta conta para todas as features.
Não estamos estimando, e sim detalhando todas as tarefas para cada feature
— Paulo Caroli (@paulocaroli) February 18, 2016
Enfim, o resultado de fazer a Lean Inception, e a partir dela realizar o planejamento do projeto, é que ambas perguntas estarão respondidas: o que e quando. Com isso, o time tem a liberdade de usar histórias, tarefas, scripts, pergaminho, ou seja lá o que for. E ainda pode jogar planning poker, t-shirt size, no-estimates, ou qualquer combinação que queira.
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Em uma thread de email interna da ThoughtWorks, uma pergunta similar foi levantada: Como os projetos estão lidando com estimativas? Segue a breve resposta do Tiago Rosa.
“Pensando em como gostamos de começar a pensar em um produto (Lean Incewption), descobrimos as features, colocamos em sequência, identificamos os MVPs e depois criamos uma ideia de tempo e custo. As datas vem deste último passo, encontradas a partir daquilo que o próprio time estima. A diferença é que as datas são flexíveis e devem ser adequadas à prática de entregar, medir, aprender e talvez mudar de direção.” — Tiago Rosa
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