Episódio 43: Quando fazer uma Lean Inception e os 3 Horizontes do Crescimento

14 nov 2022 | Podcast

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Eu sou o Paulo Caroli e este é o Podcast Mínimo Viável, onde compartilho conhecimento sobre as novas relações de trabalho e, assim, contribuo para a transformação de um mundo melhor.

Neste episódio do Podcast Mínimo Viável, você vai conferir as explicações do profissional e trainer da Caroli.org, Edson Lima, sobre quando uma Lean Inception pode ser feita, além de detalhes referentes aos 3 Horizontes do Crescimento.

“Bom pessoal, é um prazer estar aqui com vocês e eu quero falar, então, sobre quando fazer uma Lean Inception. Bom, meu nome é Edson Lima, Edson Antônio de Lima. Atualmente, sou Agile Lead na Raia Drogasil, conhecida como RD. Também me considero um Lean Agile Coach. Eu também sou facilitador e trainer de Lean Inception lá com a Caroli.org, Management 3.0, Instrutor SAFe, também, agilidade em geral, além de ser casado com a Solange, pai do Enzo, nerd por convicção.

É importante a gente entender o que é uma Lean Inception. Ela é esse workshop colaborativo, onde a gente busca encontrar esse MVP e aí é que tem um grande ganho, que é colocar todo mundo na mesma página e encontrar uma forma de colocar esse Produto Mínimo em contato com o nosso cliente, priorizando o que é mais importante.

O MVP é algo que tem que estar entre valioso, factível e usável, sempre com um valor percebido pelo cliente que seja diferente do seu concorrente. E quem diz se é valioso ou não é o nosso cliente. Só quando ele põe a mão nisso é que de fato a gente consegue saber se faz ou não sentido para ele.

E, para isso, esse MVP precisa ser usável, porque tem que representar toda uma jornada, uma experiência completa. Nosso cliente, ainda que imperfeito, ainda que a gente tenha vergonha desse MVP, ele tem que conseguir provar uma hipótese, né? E ele tem que ser factível, tanto na hora da implementação, quanto, também, ele ser sustentável. Você tem que provar que ele consegue se manter como um produto viável.

E quando que a gente poderia usar Lean Inception?

Têm vários momentos para utilizar. Vou falar especificamente mais sobre Horizonte do Crescimento, mas a gente tem que ver que, se você utilizar o conceito de Lean Startup, você vai estar utilizando aí em alguns momentos ou se veio lá um pedido do seu cliente do seu usuário de negócio, então, você vai validar suas hipóteses dentro do seu ciclo de Lean Startup.

E aí, então, quando a ideia tiver mais madura, você vai rodar uma Lean Inception para achar este MVP e colocar aí para prova definitiva do seu cliente. Você pode, também, estar dentro do Lean Startup validando, num processo de validação de experimentos para daí rodar uma Lean Inception ou fazendo pesquisas com seu usuário, rodando ciclos de construir-medir-aprender até ter aí um momento de definir o MVP para validar essa ideia.

>> No processo de Dual Track, onde você vai fazendo seu discovery e, em algum momento, você vai no final, lá na hora de definir, você faz uma Lean Inception enquanto você continua rodando e você pode ter vários insights durante o desenvolvimento, que, talvez, gerem a necessidade de uma outra Lean Inception.

>> Dentro do Diamante Duplo também e seria no segundo D, na parte de definir – o define – seria um ótimo momento, onde já está convergindo para daí sim você definir esse Produto Mínimo Viável.

>> Num processo de Business Model Canvas, em seguida, você aplicar uma Lean Inception para ver qual é esse Mínimo, ou seja, você define esse negócio para, em seguida, você estar rodando uma Lean Inception, você teria o Canvas um Canvas do BMG e também um Canvas do MVP, onde você tem a sua hipótese e como é que você vai estar validando isso.

>> E, também, eu adicionei aqui, imaginando um portfólio Kanban, Kanban, portfólio, Kanban de iniciativas, ali onde você tem o momento do analyzing, do analisando, né? Aqui, eu acho um ótimo momento de você estar, aí sim, rodando o MVP, porque você já fez todo um trabalho de coletar ideias de várias origens, fazer uma avaliação, priorizar, ver se é viável aquela ideia, refinar mais aquela ideia. Aí sim, você está trabalhando para identificar esse MVP mínimo para você passar por uma implementação.

>> E agora falando especificamente dos Horizontes do Crescimento… ele verifica 3 Horizontes: o Horizonte 1, que é o que você faz, a sua vaca leiteira, o que você já está estabelecido, você já está fazendo isso, seu produto principal, de onde o seu dinheiro vem. Normalmente, você tem um investimento em torno de 70% aqui para medir, para manter esse Horizonte 1… o seu produto é que mantém.

Só que o que te trouxe até aqui talvez não te garanta o futuro, então, você tem que estar olhando um pouco mais para frente, ainda em cima do seu produto. Talvez, um novo mercado para ele, novas funcionalidades. E, aí, você começa a investir em torno de, sei lá, 20%, olhando um pouco mais para frente, alguns anos a frente aí para evoluir o seu produto, pensando nos seus concorrentes, enquanto no Horizonte 1 é muito focado na melhoria operacional, na melhoria dos processos.

Mesmo olhando um pouco para a frente ainda você tem um risco. Porque, hoje em dia, os seus concorrentes aparecem de qualquer lugar, não necessariamente do seu nicho de mercado. Pode ter um concorrente inesperado com produto disruptivo, que pode acabar com o seu negócio.

E, então, você tem que estar olhando mais para frente ainda, tentando antecipar essas tendências, buscando não só novos mercados, mas, também, talvez, novos produtos. Um produto que nós chamaríamos de disruptivo. Tem uma máxima que fala o seguinte “se alguém vai matar o meu negócio, que seja eu”.

Essa ideia de um empreendedor que consegue conceber produtos disruptivos ou que tenha coragem de buscar esses produtos disruptivos. Alguns empreendedores não têm essa coragem. Alguns nem estão mais no mercado, teve aquele receio de canibalizar o seu próprio negócio. E aí alguém fez isso por ele.

Até um pouco de forma lúdica, para a gente entender um pouco mais esses Horizontes do Crescimento:

Vamos imaginar que, no Horizonte 1, ninguém andava de cavalo. Um dia, tive uma ideia e comecei a criar cavalo para as pessoas montarem, andarem e para percorrer em longas distâncias. Só que daí esse mercado foi tomado por outros criadores de cavalo e todo mundo criava cavalo.

E aí, eu comecei a em algum momento pensar assim: bom, como é que eu otimizo esse fluxo? Como é que eu consigo colocar um cavalo mais rápido no mercado, né? Como é que eu consigo treinar mais cavalos com menos pessoas? Eu busco aí todo momento, no meu processo de vaca leiteira, como otimizar meu processo.

Só que estou preocupado porque pode ser que algum dia alguém crie alguma coisa pro cavalo que eu fique sem mercado e pode ser que aí eu comece a explorar como é que eu aumento o valor do cavalo? Aí, comecei a inventar, inventar um negócio chamado roda, eu pensei em colocar uma carroça amarrada no cavalo.

Isso aí bombou. Na história se usava muito o cavalo puxando uma carroça. Até que um momento isso vai se tornar também aí, não vai ser mais um diferencial e aí eu vou ter que pensar isso também. Mas, agora, eu estou investindo nisso para um longo prazo começar a trabalhar com carroças e começa a ter um resultado já bem interessante.

Mas, eu estou preocupado que algum dia isso também vai ter muita concorrência. E aí, de repente, eu estou lá investindo em outras coisas malucas que não sairia do cavalo. E aí, voltando para a Lean Inception, em um ciclo normal de Design Thinking, de você ter ideias lá trabalhadas, eu poderia, por exemplo, usar um Design Sprint em algum momento, até para validar hipóteses. E aí sim eu poderia estar rodando uma Lean Inception para validar o Produto Mínimo Viável para daí implementar com algum framework ágil.

E isso pensando aí nos 3 Horizontes, como é que poderia ficar, pessoal?

Esse que é o ponto aqui. O Horizonte 3 eu vou ter várias ideias, várias opções e muitas delas não vão se mostrar suficientes para rodar um MVP, né? Então, aqui vou estar fazendo muita pesquisa, tentando levantar hipóteses que fazem sentido, talvez fazendo algumas experiências.

Além de pesquisas, um pouco de Design Sprint, tentando encontrar qual que é o maior ponto de dor de contato, como é que isso, que solução que eu posso dar para esse ponto, experimentando e descartando opções que não necessariamente elas vão vingar.

Então, aqui eu diria que a gente tem muito mais um processo de descobrimento do que um processo de definição. Então, aqui você vai ter, sim, Lean Inception, mas só pra aquelas ideias que se mostraram viáveis pra seguir no processo de MVP. Aqui, é muito mais, por exemplo, Design Sprint ou algumas outras técnicas.

Já no Horizonte 2, já são coisas aqui que é um produto que você já tem. Não é uma coisa disruptiva. Muito daqui você vai acabar levando para frente. Talvez, até tenha um equilíbrio aqui entre o que eu estou fazendo, por exemplo, em Design Sprint, levantando e fechando hipóteses, além de outras técnicas e usando Lean Inception para criar, de fato, o MVP e já começa a ter mais equilíbrio.

Só que quando a gente fala do Horizonte 1, você vai ter muito pouco sobre levantamento de hipóteses de fato, como hipótese de coisas inovadoras, embora nada impeça que você tenha alguma coisa sobre isso. Mas, em uma quantidade bem menor provavelmente.

E mesmo a Lean Inception ela, talvez, comece a não fazer muito sentido, se você de fato utilizar a Lean Inception para definir um MVP, porque você quer validar uma hipótese. Porque, aqui, são coisas que são bem mais previsíveis. São mais requisitos do que hipóteses, como diria o Fábio Aguiar lá do PBB, é nesse ponto aí que você talvez esteja utilizando menos dessas Lean Inceptions aí”.

 

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Notas do episódio:

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