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Mapa da Alteridade: Uma Ferramenta Colaborativa de Design Inclusivo

15 jun 2023 | UX ágil

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Por Liliane Cláudia*

O avanço da tecnologia tem impulsionado transformações significativas na sociedade e é fundamental que esse progresso seja inclusivo e acessível a todos. Como designer especializada em acessibilidade, estou entusiasmada em apresentar uma inovação desenvolvida por mim que busca justamente isso: o “Mapa da Alteridade”. Essa ferramenta de co-criação foi cuidadosamente projetada para auxiliar equipes de design na identificação de barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência e na proposição de soluções inclusivas para superá-las.

Ao longo da história, muitas tecnologias surgiram a partir de soluções inclusivas. Um exemplo notável é o touchscreen, que foi originalmente projetado para atender às necessidades de uma pessoa com deficiência nas mãos e revolucionou a maneira como todos nós interagimos com as interfaces digitais. Da mesma forma, a máquina de escrever foi criada para atender às necessidades de uma pessoa surda e evoluiu para os teclados de computador que usamos hoje.

Atualmente, as tecnologias emergentes têm potencial de impulsionar a inclusão ao serem aplicadas na promoção da acessibilidade. Um exemplo dessa tendência é a ampla utilização de interfaces conversacionais por pessoas com deficiência física, assim como as transcrições de áudio que se tornaram uma solução valiosa para aqueles com deficiência auditiva. Portanto, é essencial estabelecer uma conexão entre as tecnologias emergentes e soluções de acessibilidade visando atender às necessidades de todas as pessoas.

Ao adotar abordagens inclusivas de design, a inovação tecnológica continuará a se desenvolver e é nesse contexto que o Mapa da Alteridade se destaca como uma ferramenta poderosa.

 

O que é o Mapa da Alteridade?

O Mapa da Alteridade é um canvas que auxilia a identificar e propor soluções para as barreiras de acessibilidade que os usuários enfrentam ao interagir com um produto ou serviço. Inspirado no Mapa de Empatia amplamente utilizado por equipes de design, o Mapa da Alteridade se diferencia ao direcionar o foco para os sentidos humanos dos usuários: a audição, a visão, a fala e o tato. Ao compreendermos como as pessoas com deficiência utilizam essas habilidades, somos capazes de aprimorar a usabilidade das soluções e proporcionar uma experiência mais inclusiva e funcional.

Com esse canvas, podemos identificar as barreiras específicas e propor soluções personalizadas, garantindo que todos os usuários tenham uma experiência satisfatória.

 

Como o Mapa da Alteridade surgiu?

A ideia do Mapa da Alteridade surgiu a partir da minha experiência pessoal como designer e pessoa com deficiência física severa, mais especificamente tetraplegia. Desde o início da carreira, tenho buscado projetar soluções inclusivas. No entanto, me deparo constantemente com o fato de que as ferramentas convencionais não contemplam as habilidades das pessoas com deficiência, o que resulta na falta de uma compreensão mais precisa sobre como interagimos com um produto ou serviço.

A deficiência afeta a forma como utilizamos os nossos sentidos humanos. Por exemplo, quando alguém perde a visão, o corpo automaticamente se adapta, explorando os sentidos que não foram comprometidos, como a audição e o tato. Esse exemplo ilustra claramente como a deficiência nos faz desenvolver novas habilidades. Mas, quando produtos e serviços não levam em conta essas habilidades adquiridas, ocorre a falta de uma inclusão adequada – o que consequentemente gera barreiras de acessibilidade.

Foi nesse contexto que percebi que reconhecer e fortalecer essas habilidades, em vez de focar apenas nas limitações impostas pela deficiência, poderia proporcionar às equipes um conhecimento mais amplo das necessidades das pessoas com deficiência. Assim, poderemos aproveitar os benefícios da co-criação para solucionar um problema constante no campo do design: a escassez de abordagens mais inclusivas, o que tem dificultado atender as necessidades de todos os usuários.

 

O que é essencial para criar soluções inclusivas com o Mapa da Alteridade?

Existem três princípios essenciais para criar soluções inclusivas com o Mapa da Alteridade. Primeiro, é necessário reconhecer quais sentidos o usuário usa durante a realização de tarefas. Ao fazer perguntas sobre como eles ouvem, veem, falam ou pegam as soluções propostas, é possível identificar com precisão as habilidades do usuário, que nos levam a entender como acontecerá de fato a usabilidade.

Ícones dos sentidos humanos referenciam as perguntas do Mapa da Alteridade

Segundo, é importante conhecer quais recursos eles utilizam ao interagir com as experiências projetadas em um produto ou serviço. Perguntas sobre quais tecnologias assistivas utiliza e como as utiliza ajudam a evitar incompatibilidades com o produto em questão e garantir uma experiência robusta.

Ícones referenciam as barreiras e soluções identificadas

Por fim, promover a colaboração entre as equipes envolvidas na construção das soluções e os usuários é fundamental para permitir uma compreensão mais profunda das experiências e perspectivas vivenciadas por pessoas com diversas habilidades físicas, cognitivas e sensoriais.

 

Como o Mapa da Alteridade pode ser aplicado?

Desenvolvendo soluções de experiência

Durante processos de Imersão e Ideação, o Mapa da Alteridade ajuda a identificar as barreiras de acessibilidade enfrentadas pelos usuários, ao mesmo tempo em que sugere soluções inclusivas. Isso possibilita uma compreensão mais abrangente das experiências e perspectivas das pessoas com deficiência desde as fases iniciais do projeto.

 

Criando proto-personas inclusivas

As informações geradas com o Mapa da Alteridade podem ser incluídas nas proto-personas, com detalhes como “recursos assistivos utilizados”, “atividades preferidas” e “barreiras de acessibilidade” enfrentadas pelo personagem em questão. Dessa forma, garantimos que as personas sejam representativas da diversidade dos usuários e que as soluções sejam inclusivas desde o início do processo de design.

 

Inspirando sobre o Design Inclusivo

O Mapa da Alteridade pode ser usado para inspirar as equipes sobre o tema do Design Inclusivo por meio de workshops de colaboração. Essa é uma estratégia eficaz para destacar a importância da inclusão para os stakeholders e promover uma mudança de mentalidade em relação à criação de produtos e serviços acessíveis.

O Mapa da Alteridade já foi testado e avaliado em diversos projetos nos quais conduzi workshops focados em Design Inclusivo. Além disso, a ferramenta será ensinada nas atividades de prática do Treinamento UX Inclusivo em Prática, desenvolvido por mim em parceria com a Caroli.org.

Com o Mapa da Alteridade, as equipes serão capacitadas a compreender e valorizar a diversidade, promovendo soluções que integrem a acessibilidade na experiência do usuário e promovam a inclusão. Além disso, estarão preparadas para oferecer produtos e serviços que atendam às demandas futuras, pois a inclusão vai além de ser apenas uma responsabilidade ética e legal. Ela representa uma oportunidade de inovação e crescimento no mercado. Ao trabalharmos juntos, podemos criar um futuro mais inclusivo e acessível, beneficiando a todos.

Ao compartilhar este conteúdo, devem ser dados os devidos créditos à criadora da ferramenta Liliane Claudia.

 

*Liliane é uma designer especialista em acessibilidade e cofundadora da Deficiência Tech, uma comunidade pioneira na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de tecnologia brasileiro. Ela atuou em projetos para grandes grandes players do mercado e tornou-se uma fonte de inspiração para soluções inclusivas, como o plugin Liliane Canvas Control para Adobe XD. Além disso, Liliane é mentora de UX Inclusivo e oferece treinamentos para profissionais da área de tecnologia, por meio da Caroli.org. Como pessoa com deficiência física, ela tem uma sensibilidade aguçada para as barreiras enfrentadas por outras pessoas com deficiência, o que reforça sua convicção de que o design desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de tecnologias que possam ser utilizadas por todas as pessoas, em qualquer momento da vida.

 

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