Nossa, mas tem muita gente falando de MVP… MVP é isso, não é aquilo. Toda hora alguém tenta redefinir o termo, e, para piorar, criam novas siglas só para dizer que não fazem MVP.
Essa semana, mais um apareceu bagunçando o conceito. Não resisti e resolvi escrever sobre isso.
O MVP não é uma solução meia-boca!
Alguém pode me indicar um livro respeitado ou um profissional experiente que diga que um MVP deve ser uma solução meia-boca ou capenga?
Uso o termo Minimum Viable Product (MVP) desde 2011 e já estive diretamente envolvido em mais de 300 Lean Inceptions, ajudando equipes a definirem um plano para construir um MVP. Nenhum desses era uma solução meia-boca (half-baked solution).
Ainda assim, vejo constantemente pessoas redefinindo o conceito de MVP, dizendo “faça assim, não daquele jeito” e até criando novas siglas apenas para rejeitar o MVP—porque dizem que é algo malfeito.
Uma mentira repetida 100 vezes começa a parecer verdade, e isso me preocupa.
Essa reflexão começou enquanto eu lia o Duolingo Handbook ontem (link nos comentários), onde escreveram:
“V1s, não MVPs
A ideia de lançar funcionalidades inacabadas, ou Minimum Viable Products (MVPs), é comum no setor de tecnologia. Mas os MVPs vêm com um conjunto específico de expectativas—e limitações.
Na Duolingo, não fazemos MVPs—fazemos V1s.
A diferença é importante: MVPs geralmente têm um padrão de qualidade mais baixo e podem ser usados como desculpa para lançar trabalhos abaixo do esperado. V1s, por outro lado, são refinados. Eles podem não ter todos os detalhes sofisticados, mas atingem nosso padrão. Às vezes, essa abordagem leva um pouco mais de tempo, mas nos recusamos a comprometer a experiência dos nossos usuários com ideias malfeitas.” (página 17, DuoLingo Handbook, publicado em 2025)
Então, quero ser bem específico aqui:
“MVPs geralmente têm um padrão de qualidade mais baixo e podem ser usados como desculpa para lançar trabalhos abaixo do esperado.”
Isso não é um MVP—porque não é viável! É apenas algo malfeito que alguém decidiu chamar de MVP. (Aliás, um V1 também pode ser malfeito.) Se teve sucesso, chamam de V1, se foi fracasso, dizem que era um MVP… Ah, para! O sucesso aconteceu porque vocês mandaram muito bem, e não por causa da sigla que usaram.
“Eles podem não ter todos os detalhes sofisticados, mas atingem nosso padrão.”
Essa frase se encaixa perfeitamente no conceito de MVP. Por exemplo, ao definir um MVP, ele sempre deve atender ao seu padrão de qualidade. E sim, concordo—um MVP geralmente não tem todos os detalhes sofisticados.
O que você acha? MVP é um vilão ou um ótimo conceito? Essa conversa foi para o LinkedIn.







