O segredo para as perguntas boas

Por Diogo Riker*

Na perspectiva da facilitação, duas competências muito importantes para a pessoa facilitadora são: formular e sustentar as perguntas certas. É através delas que a mesma conseguirá criar conexões com o grupo e fomentar para que este tenha discussões objetivas, coesas e eficazes.

Realizar essa tarefa está longe de ser simples. Ao ponderar sobre o tema, uma expressão recorrente proferida por minha esposa percorreu meus pensamentos: “Perguntas genéricas, respostas genéricas!” (Seria ela uma exímia facilitadora?). Essa expressão coincide com a provocação que Michael Wilkinson faz quando nos instiga a melhorar nossa habilidade de fazer perguntas para obter, do grupo, melhores respostas.

Durante o Treinamento da Arte da Facilitação, investimos bastante tempo nesse assunto e, de uma forma prática, mostramos os caminhos de como formular boas perguntas. No entanto, apesar de ser algo prático, precisamos dar um passo para trás e entender a atmosfera que envolve as perguntas genuínas.

Partindo do princípio, o que seria uma boa pergunta? Gosto de pensar nessa resposta como questionamentos que fazem a comunicação do grupo fluir em direção a um resultado que satisfaça as necessidades dos participantes e que gere algum aprendizado para todos. Mas, existe algo anterior a isso que toda pessoa facilitadora deve ter embutida em si. Uma qualidade fundamental do ser humano: a curiosidade.

De acordo com algumas áreas de estudo, a curiosidade é associada a um desejo intrínseco pela busca do conhecimento e compreensão do ambiente. Ou seja, a relação desse tema com o aprendizado e adaptabilidade é bastante convergente. Observando sob esse prisma, é possível perceber também uma forte relação com a facilitação, pois o processo de facilitação envolve a constante leitura do ambiente, identificação de comportamentos disfuncionais, aprender com eles e guiar o grupo para o objetivo da reunião.

Logo, essa característica precisa ser inerente à pessoa facilitadora. Roger Schwarz explora a ideia da curiosidade – sendo ela um dos valores fundamentais do seu método chamado de Mutual Learning – e oferece a seguinte definição: “When you’re curious, you ask question to learning about what the others thinking”. Dado isso, pode-se afirmar que a curiosidade é um meio para descobrir respostas daquilo que você ainda não conhece.

Ter curiosidade traz uma série de benefícios para a pessoa facilitadora. Por exemplo:

  • Melhora a sua capacidade de lidar com imprevisto, uma vez que ela impulsiona o pensamento criativo em busca das soluções dos problemas;
  • O torna mais propenso a se adaptar às novas perspectivas e desafios que as situações apresentam;
  • Fortalece as relações interpessoais por estimular a necessidade de escuta ativa do grupo e fomentar a empatia.

Portanto, é evidente o quanto a curiosidade é influente para a facilitação. Saber estimular boas perguntas e sustentá-las ao longo de uma reunião é uma das principais ferramentas que a pessoa facilitadora pode ter consigo. Porém, não se engane… não é algo trivial de ser feito. É preciso praticar para aperfeiçoar essa habilidade e, a boa notícia, é que você não precisa de uma reunião para isso. Aproveite as conversas que acontecem no seu dia a dia para trabalhar a sua.

Sobre o autor

Diogo Seffair Riker é agilista formado em design, criador do Agile.Pub, organizador do Agile In The Jungle, aprendiz de mágico e apreciador de cerveja. Apaixonado por pessoas, comunidades, pensamento sistêmico, facilitação e formação de times, ele gosta de pensar que os princípios e valores ágeis são aplicáveis em todos os aspectos da vida. Acredita também que a colaboração e a experiência do usuário são os melhores caminhos para alcançar o diferencial de qualquer produto ou serviço.

 

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