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Episódio 7: Lean Inception – O que é? É possível rodar para projetos que não sejam de TI?

26 jan 2022

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Eu sou o Paulo Caroli e este é o Podcast Mínimo Viável, onde compartilho conhecimento sobre as novas relações de trabalho e, assim, contribuo para a transformação de um mundo melhor.

No episódio de hoje, vamos ouvir um bate-papo sobre Lean Inception com pessoas que têm rodado em suas organizações. São elas: Cristiane ‘Coca’ Pitzer, Danielle Pedroso, Renato Borba, Diego Aristides, Luana Monteiro e Luis Gustavo Amorim.

Renato Borba: O que é Lean Inception? Assim como o Caroli deu nessa introdução, Lean Inception ela é um encontro, uma reunião, uma cerimônia onde a gente consegue alinhar um grupo de pessoas, normalmente com ideias e opiniões diferentes sobre aquele produto, sobre aquele problema que a gente busca resolver. Eles se juntam para se alinhar quanto a aquele produto, quanto ao MVP desse produto, quanto ao Mínimo Produto Viável. Então, pessoas diversas se encontram para discutir e encontrar qual é o Mínimo Produto Viável daquele produto em questão. Sendo bem sucinto, a minha definição de Lean Inception é essa.

Danielle Pedroso: Eu acho que o mais legal disso é ter a reunião com todas as pessoas, todas as áreas envolvidas. Então a gente tem aquele momento de poder discutir desde a parte de regras de negócio até parte um pouco mais técnica, que daí não fica aquela decisão assim ah, vamos fazer o mundo e chega lá na parte de tecnologia e começa a barrar porque não é possível fazer da forma como foi pensado. Então, eu acho que gera um engajamento muito grande das pessoas, inclusive, delas se sentirem parte da criação ali.

Cristiane ‘Coca’ Pitzer: Isso aí, eu percebo que, quando eu converso com as pessoas e nos treinamentos que eu dou, eu percebo que existe uma confusão de Lean Inception com Lean Six Sigma. Não sei se vocês recebem esse tipo de pergunta também quando vocês dão treinamento.  Então assim, acho que a explicação de vocês está perfeita, mas vou complementar por esse lado que é, basicamente, tentar explicar a definição de Lean Inception no inglês e português mesmo.

Inception, no inglês, basicamente, significa estabelecer o ponto de partida de alguma coisa, seja o ponto de partida de um projeto, de um produto, de um processo, de uma jornada, seja lá o que for, mas é estabelecer esse ponto de partida. E o Lean é uma forma de pensar, um modelo de pensamento onde você remove os desperdícios que podem estar envolvidos no seu processo, no seu dia a dia, no seu mecanismo de tomada de decisão, na passagem de bastão de um time para o outro e por aí vai.

Então, Lean Inception é uma forma bem enxuta né, bem magra, sem muitos excessos, de estabelecer o ponto de partida de alguma coisa e esse ponto de partida na Lean Inception a gente, normalmente, faz para o produto e o MVP é, justamente, esse ponto de partida, onde a gente começa a validar as primeiras hipóteses e construir o produto em cima daquilo.

Danielle Pedroso: Eu acho legal colocar, também, que é um momento de decidir até se não vai ser feito. Às vezes, as pessoas acham que ah, tem que sair de lá com um MVP pensado né. Às vezes, ali é um momento de poder barrar alguma ideia que não faça sentido para a empresa ou para aquele momento.

Cristiane ‘Coca’ Pitzer: Perfeito! Eu adorei essa sua colocação, porque muita gente acha que é uma é uma falha, né, você falhou na sua Lean Inception se você decidir não seguir com um MVP, se você decidir não seguir com o produto. E, não é, na verdade, é um super sucesso, porque você poderia estar tendo inúmeros desperdícios, inclusive financeiros, de tempo, frustração de equipe construindo uma coisa que potencialmente iria falhar no futuro. Então, eu acho que é uma super vitória, também, quando você chega na Lean Inception e fala “gente não vale a pena construir isso aqui”.

Renato Borba: É mais barato falhar depois de cinco dias, do que você falhar depois de três meses de desenvolvimento de um produto que nem deveria existir. Então, a gente consegue definir ao final de uma Lean Inception que um produto x ele não tem necessidade ou não tem valia ou não tem grande valor a ser entregue. Então, a gente já para ali. Então, cinco dias de trabalho, em questão matemática, cinco dias de trabalho são mais baratos do que três meses de trabalho bem mais caro né, porque, às vezes, você envolve mais áreas, mais pessoas.

Cristiane ‘Coca’ Pitzer: Eu acho que você está sendo bonzinho de falar três meses, né Borba? Porque, na vida real, no modelo mais tradicional de trabalho, muitas vezes, sairia um ano, um ano e meio, até dois para você poder fazer essa entrega e perceber que você não tem demanda ou que a sua hipótese né não foi validada.

Luana Monteiro: Eu acho que, até pra ir fechando né essa pergunta que está bem completa, só reforçando, como Caroli já trouxe aqui, a Lean Inception é uma técnica de Define, ela é uma técnica de definição e não de Discovery, não de descoberta. Então, para quando eu começar a fazer uma Lean Inception, eu preciso responder ali o que é meu produto e para quem é?

Então, basicamente, eu tenho como saída de uma Lean Inception um roadmap bem estruturado, organizado e com meu MVP definido e consolidado de acordo com todos os integrantes. Mas, acho que a gente vai ter outras perguntas aí, mais perguntando quando, como e a gente está aqui para isso né.

Duda Chaieb: Pessoal, já temos a segunda pergunta que foi mandada por e-mail aqui. Luana, manda ver, Luis.

Luana Monteiro: Bora lá, você já rodou  Lean Inception para projetos que não sejam de TI? E aí Gustavo, conta para nós a nossa experiência.

Luis Gustavo Amorim: Já rodei um projeto que até envolvia alguma coisa de desenvolvimento, mas, majoritariamente, envolvia criação de conteúdo, produto jornalístico, de televisão. Foi o Mestre do Sabor, que é um programa que ainda está no ar na Globo, é um programa que acelerou um produto de receitas, que é o receitas.com da Globo, e tinha uma série de iniciativas para fazer, para acelerar esse produto e vendo inputs de área comercial, que vem de publicidade, área de jornalismo que programava os quadros do Mestre do Sabor, enfim, a própria área de desenvolvimento em si.

A Lean Inception foi uma forma de alinhar todo mundo em torno de objetivos comuns e bem mensurados. Ao final do Canvas lá, conseguia colocar todo mundo na mesma página de qual o resultado que a gente esperava de cada iniciativa, como é que mensurava tudo aquilo. Foi muito legal, porque a gente conseguiu trazer perspectiva de cientista de dados, desenvolvedora, designer, jornalista, área comercial, a gente colocou uma série de pessoas com perspectivas e vocabulários bem diferentes. Eu diria que o glossário, que é uma técnica da Lean Inception de tentar e ir acumulando um glossário ao longo da dinâmica, ficou bem rico nessa oportunidade do Mestre do Sabor.

Luana Monteiro: Eu ia até complementar falando isso, dessa técnica do glossário, e eu confesso que quando, eu e o Gustavo a gente teve o prazer de fazer junto essa Lean Inception, confesso que alguns momentos deu tela azul né, porque a gente não fala em feature né, não era exatamente uma feature, já era uma iniciativa muito mais tangível, algo já quando a gente pensa na televisão, algo para o cliente final, então tive uma certa dificuldade quando eu facilitei e a gente não tinha nomenclatura de feature, a gente chamava de outras coisas. Aí, quando a gente foi passar na matriz, na revisão de negócio e técnica, enfim, de UX, de experiência do usuário, a gente ficava ali, mas essa funcionalidade, não, mas não é uma funcionalidade, não é bem uma funcionalidade né.

Tem um desafio para quem for facilitar uma Lean Inception fora da TI, assim, acho que como dica tem essa desconstrução primeiro. Vamos chamar de quê? Como utilizar o glossário? Vamos chamar de iniciativa, de funcionalidade, de entrega, do que a gente vai chamar aqui para que todo mundo entenda?

Tinha muita gente de negócio, muita gente da TV e que não falava a mesma língua de tecnologia, porque a maior parte não era de tecnologia. Então, a gente teve que adaptar muito o linguajar para que as pessoas conseguissem entender o que a gente estava querendo propor. Essa já é uma boa dica: descontrói, põe o glossário para rodar antes, faz um pré-glossário até e aí depois vai rodar. Mas, acho que o resultado foi bem legal.

Diego Aristides: Boa, aqui o nosso lado né, compartilhando com vocês também. Nós rodamos só 20 Lean Inceptions fora da TI. Nós somos aqui do Hospital Sírio-Libanês e tivemos um desafio enorme: rodar Lean Inception fora da TI e no meio de uma pandemia. A dica que a Luana passou aqui é fundamental: tem que ter uma tradução, tem que aproximar mais do público que a gente está atuando.

Então, no nosso caso a gente teve que converter todo o nosso modelo aqui né, adaptar para atender profissional de saúde, médicos e ter essa dinâmica para construir alguns produtos. Fizemos um programa de estágio, assuntos específicos do nosso core de saúde realmente né e funcionou super bem.

Alinhar as pessoas, 14, 15 áreas envolvidas, 50 a 60 pessoas, times menores, times maiores, mas funciona bem e, no fim do workshop, ver toda essa galera alinhada e ter uma visão aí de produto, de MVP, para a gente poder trabalhar em cima é fundamental. Aqui, a dinâmica é super boa, têm alguns desafios como eu comentei, então, os nossos horários de agenda que são diferenciados, às vezes, fora do horário, às vezes, picados. Em alguns momentos, a gente até teve algumas sessões com o próprio Caroli: Cara, a gente vai ter que mudar alguma coisa, tudo bem? E ele: Diego, vai, está aí o ecossistema, justamente, para melhorar e para a gente realmente atingir outros públicos né. Então, tem bastante case para a gente compartilhar aqui também.

E aqui o episódio de hoje. Espero que você tenha gostado. Eu te peço para se inscrever e recomendar esse podcast na sua plataforma de podcast preferida, como Spotify e YouTube, e nas redes sociais. Ou, como eu prefiro: recomende aos seus amigos. Assim, você me ajuda com a missão de compartilhar conhecimento sobre as novas relações de trabalho, de forma a contribuir para a transformação de um mundo melhor.

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Notas do episódio

Saiba mais detalhes sobre o Treinamento Lean Inception

Saiba mais detalhes sobre o Pocket Lean Inception

Lean Inception: Principais diferenças entre o treinamento ao vivo e o gravado (Pocket LI)

Casos de Lean Inception

 

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