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Episódio 8: Qual a diferença entre Lean Inception e Design Thinking? Como defender um portfólio de Lean Inception para média e alta gestão?

3 fev 2022

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Eu sou o Paulo Caroli e este é o Podcast Mínimo Viável, onde compartilho conhecimento sobre as novas relações de trabalho e, assim, contribuo para a transformação de um mundo melhor.

No episódio de hoje, continuamos com um bate-papo sobre Lean Inception e algumas perguntas: qual a diferença entre Lean Inception e Design Thinking? Como defender um portfólio de Lean Inception para média e alta gestão? As pessoas participando são a Cristiane ‘Coca’ Pitzer, a Luana Monteiro, o Luiz Gustavo Amorim, a Daniele Pedroso e o Diego Aristides.

 

Mediadora Duda Chaieb lê a pergunta recebida: “Estou confusa sobre a diferença entre Lean Inception e Design Thinking”.

Cristiane ‘Coca’ Pitzer: Eu te diria o seguinte: são métodos parecidos, diferentes, mas parecidos, que têm o mesmo objetivo – estabelecer um ponto de partida. O Design Thinking é muito utilizado para a resolução de problemas também.

Muitas vezes, você inicia um Design Thinking estabelecendo em uma frase qual problema você quer resolver. E aí, ele tem uma série de passos dentro do Design Thinking para te ajudar a primeiro divergir, ou seja, você criar bastante ideias; para depois você convergir, trazer um grupo para votar, fazer matriz de esforço x risco, enfim, para você chegar em um consenso de quais são as três possibilidades que você poderia seguir adiante para resolver um determinado problema.

O Design Thinking também foca muito no ser humano. O ser humano está sempre no centro do Design Thinking, então, o tempo todo você está pensando na experiência do usuário, você vai pensando na pessoa que possui aquele problema.

A Lean Inception ela é bem parecida no sentido de ser um método, uma sequência de passos que você segue para poder obter um resultado. Só que, normalmente, a Lean Inception é utilizada mais para você dar início a um produto, a um serviço e aí o produto pode ser digital ou pode ser um produto físico e você valida uma hipótese com o seu MVP.

Então, quando você chega no final e você tem o MVP, você vai lá e valida a hipótese que você tinha originalmente. E, dependendo de qual for a resposta, você desiste daquele produto ou você pivota, ajusta, enfim, uma outra decisão é tomada pelo time. Como vocês complementariam aí?

Luiz Gustavo Amorim: Eu diria que Lean Inception ela até usa um pouco a parte do Design Thinking de entender o cliente usando um pouco a técnica de persona, usando um pouco a técnica de jornada para ir auxiliando esse surgimento e alinhamento das iniciativas que vão ser priorizadas no MVP.

Inclusive, assim, eu acho muito fácil de mostrar essa parte do Design Thinking no MVP Canvas, no final da Lean Inception. Então, quando a gente olha ali naquele MVP que junta quais são as personas, quais são as jornadas que essas personas estão encontrando algumas fricções ou querem um pouco mais de fluidez e quais são essas iniciativas que vão resolver essas fricções.

Esse triângulo esquerdo ali do MVP Canvas, ele é muito importante para trazer todo mundo depois que acaba a Lean Inception, lembrar de porque a gente está fazendo aquilo, para resolver qual problema. Então, a Lean Inception até usa um pouco dessas técnicas de persona e de jornada do Design Thinking para gerar esse alinhamento em torno do MVP. Então, são técnicas complementares.

Luana Monteiro: Sintetizando aqui um pouquinho do que vocês trouxeram, vou tentar trazer de uma forma mais resumida. O Design Thinking é muito focado em descobrir, a descoberta. Eu não sei o que é ainda, o que queremos fazer, vamos descobrir para quem é ou então eu não tenho muito bem definido e claro essas duas perguntas: o que queremos fazer e para quem é? Vamos descobrir aqui.

Então, o Design Thinking tem diversos, tem Design Sprint aí dentro, o que ajuda, por exemplo, a fazer uma técnica de descoberta para que a gente tenha como saída um output, um protótipo ou algo desse tipo. Uma boa saída ali de Design Thinking poderia ser uma ótima entrada para uma Lean Inception, que é o momento onde eu de fato começo a definir. Agora que eu já sei para quem é meu produto e o que é que queremos fazer, a gente consegue definir o como iremos fazer então.

Aí, a Lean Inception entra como uma técnica extremamente complementar a isso. Foi excelente aqui as colocações, eu acho que a gente falou de forma muito parecida. Mas, assim, também só para complementar aqui que a gente não precisa ter uma regra: toda vez tem que fazer um Design Thinking ou Design Sprint antes da Lean Inception? Nem sempre, se eu já tenho essas respostas mais claras, eu já poderia ir direto para uma Lean Inception sem problema nenhum.

 

Mediadora Duda Chaieb lê a pergunta recebida: Então, pessoal, já temos a próxima pergunta – obrigada Felipe Almeida – que é como defender um portfólio da Lean Inception para a média e alta gestão? Vocês trazem um glossário para a média à alta gestão?

Paulo Caroli: É uma excelente pergunta defender o portfólio de Lean Inception para a média e alta gestão. Eu vou interpretar a tua pergunta como sendo como é que eu convenço a média e alta gestão para fazer Lean Inception de iniciativas?

Geralmente, stakeholders ou média e alta gestão são muito interessados em saber: “quanto tempo vai levar e o que você vai fazer para entregar essa iniciativa?” A Lean Inception te ajuda nisso. Tweet This

Porque, quando você traz para a Lean Inception pessoas que entendem área de negócios, pessoas que entendem de tecnologia e pessoas que entendem a necessidade do usuário final, em uma semana somente de trabalho ele sai com o mapa onde ele vai dizer: olha só, o MVP a gente entende que o MVP para essa iniciativa é isso aqui, sabe muito claro o que é MVP e chega até a dizer: esse MVP a gente vai precisar de um mês e meio, duas semanas ou três e depois a gente acredita que a evolução desse produto, dessa solução vai seguir esse caminho.

Então, isso para a média e alta gestão é muito bom, porque você consegue ter digamos um portfólio de iniciativas e para cada uma delas você passa a ter uma clareza um pouco maior de qual o caminho de cada uma delas. Essas coisas é um pouco maior, em uma semana e você está trabalhando com o MVP, que são passos muito curtos então fica muito mais fácil é para uma empresa conseguir entender para onde está seguindo o caminho das iniciativas de poder pivotar de acordo com o uso real daquele produto, daquela solução que eles estão ampliando.

Danielle Pedroso: É até difícil falar depois do Paulo Caroli, né gente, mas acho que é muito importante essa parte do glossário. A gente até comentou um pouquinho no começo, porque nem sempre os termos que a gente usa em produto, ou negócio, ou tecnologia são comuns para todos, então, essa questão do glossário eu acho que ela tem que ser bem combinada ali no comecinho para que todos possam falar a mesma língua e mostrar o valor do que isso pode trazer ao final. Que foi bem o que a gente comentou algumas vezes aqui sobre mostrar para alta gestão ou para média gestão não importa, é o que a gente vai conseguir entregar no final? Como que a gente vai conseguir planejar tudo o que a gente conseguiu se alinhar ali?

Então, todas as áreas poderem saber que a gente está caminhando para o mesmo lado. Eu acho que essa é a melhor forma da gente conseguir fazer com que eles comprem a ideia apesar do tempo, que é algo que todo mundo acaba é engrossando um pouquinho ali… nossa, mas são cinco dias, mas na hora que você mostra o valor, mostra tudo o que você consegue entregar ao final desses dias de trabalho e, às vezes, até economia que foi algo que a gente comentou aqui também, eles acabam aprovando e super comprando a ideia sim.

Cristiane ‘Coca’ Pitzer: Eu vou contar um pouquinho sobre a última Lean Inception que eu fiz, que teve um trabalho relativamente árduo de convencimento da alta e média gestão. Não levei um glossário para poder responder bem especificamente essa pergunta. Sou mais a favor de tentar transformar a conversa em uma conversa que seja compreensível e sem muitos termos que sejam de difícil entendimento, porque senão a gente perde a outra pessoa na conversa ou ela se foca naquele termo e perde o contexto daquela história, ela não participa daquele contexto.

E o que eu fiz foi, basicamente, ajudar a média e alta gestão entenderem que eles tinham um problema em um produto. Eles tinham no caso, nesse convencimento específico, era uma plataforma e eu precisei tentar primeira coisa é mostrar para eles que eles tinham um problema nessa plataforma, que ela tinha sido desenhada, projetada e estava sendo desenvolvida sem nenhum input do usuário dessa plataforma, não tinha havido nenhum tipo de pesquisa.

Consequência disso é que eles tinham demorado dois anos até aquele momento para poder construir uma plataforma que não estava sendo usada por praticamente ninguém e os poucos usuários que estavam migrando para dentro dessa plataforma estavam dando feedbacks muito ruins e a gente tinha evidência desses feedbacks ruins, nós tínhamos e-mails, nós tínhamos conversas por chat.

Então, eu passei um tempo recolhendo essa documentação, conversando com as pessoas que trabalhavam na plataforma, porque elas tinham mais dados também sobre as reclamações que elas estavam recebendo, sobre as falhas que essa plataforma tinha, sobre os vazios que essa plataforma tinha.

Rodei uma pesquisa com os possíveis usuários né que migrariam caso a plataforma tivesse desenhado x, y ou z, empacotei com aquilo tudo e levei para a média e alta gestão e não levei inicialmente como uma apresentação. Primeiro, eu comecei a trabalhar muito no um a um, então, marcar um café com esse pessoal, um a um, conversando e aí o que você acha? Quais eram suas expectativas com relação a essa plataforma? As expectativas estão sendo atendidas? Você gostaria de ter mais uso? Por que você acha que não está tendo uso?

Então, fazer diversas perguntas para colocar eles para refletirem e só depois chegar com um pacote de evidências para poder mostrar: olha só, vocês estão demorando muito tempo para produzir uma coisa que ninguém quer. Vamos mudar isso? Vamos fazer uma Lean Inception? Que eu mostro para você em cinco dias o que você precisa desenvolver e a gente passa a ter um novo ponto de partida. E aí, eles compraram a ideia e, assim, a gente foi. Então, essa é a minha forma de trabalho para poder fazer esse convencimento.

Diego Aristides: Legal, concordo totalmente a gente mostrar essa transparência e o que é a entrega desse workshop facilita bastante. Aqui, a gente foi muito no modelo de a palavra convence, mas o exemplo arrasta. Então, a gente tentou achar um executivo que estava ali disposto a testar, pilotar uma nova forma de trabalho… E aí, vamos fazer o workshop? Assim, a gente identificou esse executivo, executamos esse workshop e ele também foi o nosso grande influenciador.

Então, junto com ele a gente conseguiu invadir né, literalmente, invadir as outras áreas, chegar mais próximo dos outros executivos da instituição e começar a realmente trabalhar de forma com que traga transparência e visibilidade.

Hoje, dentro do nosso ecossistema aqui do Sírio, todo o projeto, toda iniciativa, obrigatoriamente, tem uma Lean Inception na sequência. Então, a gente conseguiu sair de um piloto com o executivo em potencial, mostrar o resultado e, na sequência, travar isso como consolidar o workshop como parte do nosso framework. Então, achar alguém que está a fim de comprar esse desafio com vocês é fundamental e foi aqui e deu super certo.

Danielle Pedroso: No final das contas, não tem uma forma. A gente tem que encontrar a forma que se encaixa no momento em que a gente está. Às vezes, pelo convencimento, às vezes, pelo exemplo, acha um jeito.

Diego Aristides: Exatamente, é muito particular do ecossistema que a gente está inserido. Em alguns é o exemplo, outros a gente tem que, realmente, ter um trabalho totalmente político de achar, mostrar evidências e por aí vai.

Cristiane ‘Coca’ Pitzer: Por isso que é importante conhecer essas pessoas antes de tentar convencer né, para você saber qual vai ser? Quais os botões que você vai apertar?

 

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Notas do episódio

Lean Inception: Saiba como alinhar pessoas e construir o produto certo

Próximos Treinamentos Lean Inception online e ao vivo

Treinamento Gravado Pocket Lean Inception

Case Hospital Sírio Libanês – Lean Inception

 

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