Precisa de ajuda para escolher o seu
treinamento ou tem alguma dúvida?

Episódio 36: Filosofando sobre Produto Mínimo Viável

8 set 2022

> Ouça este episódio

Eu sou o Paulo Caroli e este é o Podcast Mínimo Viável, onde compartilho conhecimento sobre as novas relações de trabalho e, assim, contribuo para a transformação de um mundo melhor.

Neste episódio, o criador da Lean Inception, Paulo Caroli, apresenta um Diagrama de Venn, onde aborda a relação entre teorias de filósofos sobre como verificar que uma “verdade é realmente verdadeira” e a questão de suposições e validações ao se definir o Produto Mínimo Viável (MVP).

Hoje é sábado, eu estou caminhando com meu filho aqui pelo bosque e refletindo um pouco sobre um podcast, que eu tenho ouvido sobre filosofia na semana, e parei para pensar um pouco sobre as coisas que eu faço com Lean Inception e MVP. Então, nesse episódio, vai ser um pouco de filosofia misturada com Produto Mínimo Viável.

Eu estava vendo, nessa semana, um episódio que falava um pouco de Plato, que falava um pouco de Voltaire e tem uma teoria em inglês “Justified True Belief”, que está associada com Plato acho que, sei lá, trezentos e tanto antes de Cristo. E é interessante, pois essa teoria fala muito do que é a verdade, true or false, verdadeiro ou falso, e o que é os beliefs, as crenças que a gente tem.

Eu até andei fazendo um esboço de um Diagrama de Venn. Imagina assim: você tem um círculo e dentro desse círculo é o que é verdadeiro e, fora, é o que é falso. E aí, você tem as suas crenças, as coisas que você acredita ou suposições, no caso de produto digital, das coisas que a gente acredita que ah… se eu fizer isso, vai ser bom, vai ser ruim.

E é um outro círculo e isso forma um Diagrama de Venn, que no meio há uma intersecção. Agora você imagina assim. Têm as coisas que você acredita, vou pegar um exemplo: ah, eu acredito que se eu mudar a cor do botão de azul para amarelo, eu vou vender mais. Isso é uma coisa que eu acredito, uma crença que eu tenho, uma suposição que eu tenho.

E você tem no outro círculo a verdade, a verdade é que ou se mudar vende mais, ou falso, se mudar não vende mais, porque está fora. E a questão nesse nosso mundo de Lean Startup, Lean Inception, de Produto Mínimo Viável, o que a gente pode fazer para verificar as suas crenças, se elas são verdadeiras e você precisa verificar isso.

É daí, que entre a minha visão de um terceiro círculo, que é o da validação. Olha eu tentando explicar um Diagrama de Venn em um podcast, mas, depois, eu vou também escrever num post. Mas, agora imagina que você tem um círculo, que dentro desse círculo é o que é verdadeiro; um outro círculo que são as suas crenças, suas posições e um terceiro círculo, que é o que está validado.

Então, olha que interessante agora. O MVP em si, ele fica na intersecção do que você acredita da sua suposição com aquilo que está validado, porque o MVP ele te traz isso, você consegue validar esse passo pequeno, essa hipótese, essa suposição.

Você que elaborar um plano, uma forma de validar e uma vez que você valida, você está na intersecção entre o círculo da suposição com o círculo do validado, ou seja, uma suposição validada, aí sim você vai poder saber se aquele resultado é verdadeiro ou é falso.

E esse é o poder de que, se o resultado for verdadeiro, maravilha, você achou essa intersecção, bem no meio desses três círculos, a intersecção entre o verdadeiro, o que era uma suposição para você e o que você conseguiu validar. Ou não, era sua suposição, você validou que não é verdadeiro, que é falso. Se você não mudar a cor do botão de azul para amarelo, não vai vender mais e você vai pivotar, vai tentar fazer outra coisa.

De interessante é isso. Em filosofia tem muita teoria sobre isso. Voltaire anos depois voltou no assunto e têm vários filósofos que elaboram sobre isso, de como a gente verifica que “uma verdade é realmente verdadeira”. E voltando um pouca nessa teoria, simplificando ela: “Justified True Belief” são três pontos.

O primeiro ponto é: eu acredito que isso seja verdade, por exemplo, é a sua crença, o seu belief, a sua suposição que está nesse Diagrama de Venn. O primeiro ponto é eu acredito que, mudando a cor do botão de azul para amarelo, o meu site vai vender mais.

O segundo ponto é o da validação, que é o seguinte: eu consigo justificar, demonstrar que o botão amarelo vende mais que o azul. Por exemplo, em produto digital, eu consigo fazer um Teste A/B, mando metade do tráfego que vai mostrar com botão azul e metade com o botão amarelo, vou coletar métricas que eu vou poder olhas para elas e poder justificar: olha, o botão amarelo, realmente, vende mais.

E o terceiro ponto e o ponto final é a verdade. Sim, o botão amarelo vende mais e isso foi comprovado. Ou seja, você tinha lá sua suposição, você fez os testes ou conseguiu argumentar e buscar métricas, que demonstram isso, logo, isso valida que, sim, botão amarelo vende mais e isso na filosofia é o conceito do “Justified True Belief”.

Se você passa nesses três pontos, aí sim, você está justificado que sim, isso realmente é verdadeiro. E é isso que a gente tenta com o conceito de MVP ou quando a gente faz a Lean Inception, que junta um grupo de pessoas para alinhar, para avaliar várias perspectivas para elaborar um plano para o MVP, que é exatamente isso: a gente tem suposição e a gente precisa criar um plano que vai nos ajudar a validar… e aí, estamos indo no caminho certo? E aí, a suposição faz sentido? A gente realmente vai vender mais? Ou esse produto realmente vai encantar os usuários? Ou vai alcançar os objetivos para o negócio?

É claro que, hoje, eu imagino que fui um pouco longe né, usando a filosofia para falar sobre o assunto, mas é que achei muito interessante… tu imagina né, anos e anos, 300 a.C. Plato já estava falando sobre isso e vários outros filósofos vieram falando sobre isso, que não é um assunto simples, é profundo.

Eu entrei nos livros de filosofia, é bem profunda a discussão. Claro que eu estou simplificando aqui, até criando um Diagrama de Venn, uma representação para simplificar isso, mas que eu acho que passa muito bem o conceito daquilo que a gente tenta fazer com Produto Mínimo Viável.

Bom, esse é o episódio de hoje do Podcast. Eu já deixo a promessa: como esse tema é muito visual, eu vou ter que criar, realmente, tirar do esboço esse Diagrama de Venn e escrever um post ou um artigo sobre isso, tá?

 

E aqui o episódio de hoje. Espero que você tenha gostado. Eu te peço para se inscrever e recomendar esse Podcast na sua plataforma de Podcast preferida, como Spotify e YouTube, e nas redes sociais. Ou, como eu prefiro: recomende aos seus amigos. Assim, você me ajuda com a missão de compartilhar conhecimento sobre as novas relações de trabalho, de forma a contribuir para a transformação de um mundo melhor.

>> Esse Podcast não tem patrocinadores. Então, se você vem curtindo esse Podcast e quer colaborar com a nossa equipe, vá em www.mepagaumcafe.com.br/caroli. Muito obrigado!

Caroli.org

Caroli.org is a hub for agile methodologies, innovation, and digital transformation, founded by Paulo Caroli, author of Lean Inception and Team OKR. We help organizations move from project to product and from strategy to execution, offering training, and consulting in Lean Inception, OKRs, Data Mesh, and agile transformations—empowering teams to align, validate, and deliver real business value.
#116: Quando os OKRs Atrasam: Ajustar o Prazo, Mudar o Plano ou Recomeçar?

#116: Quando os OKRs Atrasam: Ajustar o Prazo, Mudar o Plano ou Recomeçar?

Nem todo OKR é alcançado no prazo previsto. Mas quando isso acontece, qual é a melhor decisão? Estender o prazo, revisar as iniciativas ou abandonar o objetivo e começar de novo?
Neste episódio, Paulo Caroli discute os motivos mais comuns para um OKR atrasar, como diferenciar um problema de execução de uma mudança de contexto e quais critérios ajudam a decidir o próximo passo. Um bate-papo sobre aprendizado, adaptação e como usar os OKRs da forma certa para gerar resultados — sem transformar o framework em uma burocracia.

ler mais
#115: Do OKR Estratégico às Iniciativas: Centralizar ou Desdobrar?

#115: Do OKR Estratégico às Iniciativas: Centralizar ou Desdobrar?

Quando uma organização define seus OKRs estratégicos, qual é o melhor caminho para transformá-los em iniciativas concretas? Neste episódio, exploramos duas abordagens bastante utilizadas:
1️⃣ A liderança define os OKRs estratégicos, escolhe as iniciativas e depois distribui a execução entre os times.
2️⃣ A liderança define os OKRs estratégicos, compartilha a direção com os times, que então criam seus próprios Team OKRs e definem as iniciativas mais adequadas para contribuir com os resultados.
Quais são as vantagens, riscos e contextos ideais para cada modelo? Como equilibrar alinhamento estratégico, autonomia dos times e velocidade de execução? Uma conversa prática para líderes, gestores de produto, agilistas e profissionais que buscam conectar estratégia e entrega de forma mais eficaz.

ler mais
#114: Team OKR + Team Topologies: Estruturas ou Jetskis?

#114: Team OKR + Team Topologies: Estruturas ou Jetskis?

Team OKR + Team Topologies: Estruturas ou Jetskis?

Como aplicar Team OKR e Team Topologies em grandes empresas que ainda operam com estruturas organizacionais baseadas em áreas e funções?
Neste episódio, discutimos o desafio de alinhar estratégia e execução em organizações complexas, explorando o contraste entre equipes estáveis e os “Times de Jetski” — modelo utilizado pelo iFood para acelerar iniciativas estratégicas. Também abordamos a Curva de Tuckman e os impactos da formação e evolução dos times na geração de valor.

ler mais

Pin It on Pinterest