Outro dia me lembrei de quando era criança: de um desenho animado que tinha essa frase: “preparar, apontar, fogo!” Tenho quase certeza de que era algum episódio do desenho do Pica-Pau. A ideia era primeiro preparar a arma (colocar o cartucho na espingarda), depois apontar (fazer a mira) e, na sequência, disparar.
Essa ordem — preparar, apontar, fogo! — faz sentido para aquele desenho animado ou para atirar em um alvo com uma arma de fogo. Nas organizações onde trabalhei, já vivenciei outros dois estilos similares a este, mas trocando a ordem dos fatores. E, antes que você se pergunte, eu já respondo: isso não é como na multiplicação; a ordem dos fatores altera o resultado!
Preparar, fogo, apontar.
Alguns times e organizações por onde passei seguiam esse estilo: preparar, fogo!, verificar, depois apontar (ou ajustar). Parece até uma boa prática, no estilo PDCA (plan, do, check, act). O “preparar” se parece com o “plan”, em português, planejar. O “fogo” é o “do”, em português, fazer, e depois faz o “check” e o “act”, ajustando a mira para atirar novamente.
Entretanto, algumas equipes vão rápido demais para o modo execução, deixando o alinhamento estratégico para depois. Acho que até influenciadas pelo lema “Fail Fast””, em português, erre rápido, um jargão que considero um pouco abusado. Prefiro algo como “learn fast”, em português, aprenda rápido, ao invés de “fail fast”.
Para experimentos pequenos (aprendizado), talvez essa ordem — “preparar, fogo, apontar” — até faça sentido. Também faz sentido se não se sabe por onde começar: atira, para aprender, para ver no que acerta. Entretanto, essa ordem não funciona bem para uma equipe que já está alinhada com um objetivo a ser alcançado. Nesse caso, é preciso apontar antes de atirar!
Apontar, preparar, fogo.
No mundo dos Team OKRs, a ordem é essa: apontar, preparar, fogo! Primeiro apontamos, para depois preparar e atirar. Não existe essa de preparar, apontar, fogo! Como assim preparar antes de apontar? Apontar para onde? Primeiro precisamos alinhar sobre para onde vamos apontar. Depois vamos à preparação, seguida da execução. A ordem é essa: apontar, preparar, fogo!
A metáfora da arma de fogo acaba por aqui. Em uma equipe, é muito mais apropriado pensar na metáfora de um barco: estamos todos no mesmo barco. Primeiro decidimos para onde apontar, depois nos preparamos de acordo com o objetivo, o contexto atual, as habilidades da nossa equipe, o barco (aquilo que nos une), etc.

Essa metáfora do barco também serve para grandes organizações, no caso, vários barcos rumo a uma grande conquista. Você viu a série Vikings? A organização (o grande grupo de vikings) é formada por vários barcos. Cada barco é um time, uma equipe com seu objetivo, que está alinhado ao objetivo da organização.

E, nesta metáfora do barco, mais uma vez: precisamos estar alinhados com a visão e o objetivo estratégico da organização à qual pertencemos. Não comece com Team OKRs antes de entender a visão e o objetivo estratégico da organização.







