O MVP Morreu? Não! O MVP Está Mais Vivo do Que Nunca!
Há alguns dias, publiquei um post no LinkedIn com o título provocativo: “O MVP está morto!”. Usei esse título porque, sinceramente, perdi a conta de quantos artigos já vi anunciando o “fim” do MVP (Minimum Viable Product). Mas será que o conceito realmente está ultrapassado?
O post gerou uma ótima conversa com excelentes profissionais da área de produtos digitais, e isso me inspirou a expandir o tema aqui, como um artigo. Vou compartilhar as reflexões que surgiram dessa troca, além de trazer um pouco da história e evolução do MVP – algo que detalho no meu livro Lean Inception.
A Origem do MVP (E Por Que Ainda Faz Sentido)
No livro Lean Inception, explico que a ideia de MVP está originalmente vinculada ao estilo de manufatura enxuta da Toyota e à metodologia de desenvolvimento do cliente criada por Steve Blank. Esse foi o pontapé inicial do movimento Lean Startup, que alcançou seu auge com o lançamento do livro de Eric Ries, The Lean Startup. Ries foi responsável por popularizar o conceito de MVP, tornando-o uma peça fundamental no desenvolvimento ágil de produtos.
No entanto, o termo já circulava bem antes disso. A expressão Minimum Viable Product apareceu pela primeira vez em 2000, em um artigo de Willian Junk chamado O Equilíbrio Dinâmico entre Custo, Cronograma, Recursos e Qualidade em Projetos de Desenvolvimento de Software (aqui o link para o artigo, em inglês). Muito antes de virar tendência, o MVP já era usado por startups e investidores do Vale do Silício como uma forma prática de validar hipóteses de negócios.
O objetivo do MVP é simples e poderoso: testar hipóteses rapidamente, aprender com o mercado e ajustar o produto antes de investir pesado. E é justamente por isso que me surpreende ver tantos artigos dizendo que o MVP “morreu”.
O MVP Morreu, Evoluiu ou Só Ganhou Novos Nomes?
Nos últimos anos, surgiram diversas variações do MVP, cada uma tentando “refinar” ou “melhorar” o conceito original. Alguns desses:
- MMF (Minimum Marketable Feature) – O mínimo para ser comercializado.
- MLP (Minimum Lovable Product) – O mínimo que os usuários vão amar.
- RAT (Riskiest Assumption Test) – Testar a suposição mais arriscada.
- MAC (Minimum Automated Concept) – O conceito mínimo automatizado.
Mas será que precisamos mesmo de tantos acrônimos ou estamos apenas renomeando o que já funciona?
O MVP Morreu: O Que a Comunidade Diz?
Depois do meu post, muitos profissionais compartilharam suas opiniões. Aqui estão algumas das mais marcantes:
O MVP Morreu: Marketing ou Evolução?
Erica Araujo foi direta ao ponto:
“Sendo muito franca, vejo que novos acrônimos estão muito mais ligados ao marketing do que sobre alguma mudança disruptiva na forma como construímos os artefatos de projetos.”
Essa visão foi ecoada por Geison Flores:
“O fato é que um novo termo é igual a novas consultorias e cursos sobre o assunto. Pra mim, é isso que acontece.”
Será que estamos realmente aprimorando o processo ou apenas criando buzzwords para movimentar o mercado?
O MVP Morreu: O Problema Não Está no Nome
Michel Duarte Corrêa trouxe uma perspectiva prática:
“Sempre tem espaço para melhorias, mas às vezes tenta-se criar uma ‘onda’ mais no nome do que na melhoria em si. Isso me incomoda porque vira quase uma religião.”
Ele compartilhou uma história interessante:
“Uma vez, expliquei para um cliente como trabalharíamos com Standup Meetings. Ele respondeu que não queria isso, mas sim uma reunião diária rápida para alinhar expectativas. No final, era a mesma coisa. O nome não importava, o resultado sim.”
Essa é uma crítica válida: será que estamos focando demais nos rótulos e esquecendo a essência do que estamos tentando fazer?
O MVP Morreu: O Fascínio Pelas Novidades
Luiz C. Parzianello fez uma analogia brilhante:
“Assim como insetos são atraídos pela luz, muitas pessoas convergem para novos acrônimos apenas pelo brilho da novidade. O fascínio por siglas inéditas pode ser mais sobre parecer atualizado do que sobre impacto real.”
Essa busca incessante pelo “novo” pode gerar mais confusão do que clareza, principalmente para quem está começando na área.
O MVP Que Não Morre (Mas Precisa Evoluir)
Apesar das críticas, muitos concordaram que o MVP ainda é essencial, mas precisa ser bem aplicado. Ricardo (Rica) Retamal destacou um ponto importante:
“O que tem de ‘MVP’ sendo construído que acaba virando a versão final, sem nunca passar pela iteração, não é brincadeira. Esse é o tipo de ‘MVP’ que falha e faz as pessoas acharem que o conceito morreu.”
O problema não está no conceito, mas na forma como ele é usado. MVP não é um produto final, é uma forma de aprendizado rápido.
Reflexão Final: O MVP Morreu?
Depois dessa troca enriquecedora, fica claro que o MVP não está morto. O que está, talvez, é a compreensão correta do conceito. Como disse Vinícius Esgalha de forma simples e direta:
“O MVP já era. Vida longa ao MVP.”
Criar novos termos pode ser útil em contextos específicos, mas não devemos perder o foco no que realmente importa: validar hipóteses rapidamente, aprender com o feedback e evoluir continuamente.
E você, o que acha? O MVP morreu ou está mais vivo do que nunca?
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Se você trabalha com produto digital e ajuda equipes a alinhar sobre o MVP, entra para o Hub Lean Inception, aprenda mais, e participe dessa comunidade muito ativa, com muita opinião sobre este tema.







