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Filosofando sobre MVP e budismo

Estava pensando sobre MVP –Minimum Viable Product, em inglês– e me lembrei de uma leitura que fiz sobre budismo, relacionando felicidade com a ausência de expectativa.

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Essa filosofia e forma de pensar também se aplicam para inovação e empreendedorismo. Pense na criação de um produto e na expectativa sobre o mesmo.

Pense nessa filosofia – se você tem muita expectativa, você pode se decepcionar–, nesse pensamento, sobre a ótica de produto mínimo viável.

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Quando, tradicionalmente, pensávamos e planejávamos um produto de forma ampla e abrangente, tínhamos muita expectativa sobre o mesmo. Logo, raramente alcançávamos altos níveis de satisfação. Geralmente, a realidade não é tão simples quanto o plano original.

Satisfação sobre o produto

O produto completo leva muito tempo para ser criado. Todo esse tempo gera uma grande expectativa. Daí tanta insatisfação, mesmo alcançando um resultado ok.

Em contrapartida, quando planejamos e criamos um MVP em pouco tempo, estamos lidando com uma baixa expectativa. Por esse motivo, a satisfação em relação ao MVP tende a ser maior, independente do resultado ser aquém do que se espera com o produto completo.

Isso fica mais aparente quando colocado como uma fórmula matemática:

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Considere a expectativa de um MVP com um valor X, enquanto a expectativa do produto completo com valor de 10 X. Para alcançar o mesmo nível de satisfação, o resultado do produto teria de ser de 10Y quando comparado ao resultado Y de um MVP.

Entretanto, o que geralmente acontece, é que os resultados reais são baixos, independente de ser MVP ou um novo produto já mais elaborado, com muitas funcionalidades. Logo, a satisfação com MVP tende a ser maior do que para com produtos criados de forma tradicional.

Mas o que é a expectativa do MVP?

Vamos agora mudar de ótica. Não quero pensar na expectativa somente em relação ao tempo de construção. Vamos pensar no que é a expectativa do MVP.

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Parece pouco mas é uma diferença brutal: a expectativa sobre um produto completo versus a expectativa sobre um MVP.

Para o produto completo, esperamos resultado propriamente dito: receita, vendas, que usem todas funcionalidades entregues, etc.

Para o MVP, tudo bem se você alcançar esses resultados (receita, vendas, etc) positivos sobre o produto. Entretanto, a expectativa sobre MVP é o aprendizado. O MVP vai gerar as métricas para auxiliar no processo decisório.

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A diferença é sutil, mas expressivamente impactante.  Para o MVP você não está apegado ao resultado, mas sim com o aprendizado. Apegado, em inglês “attachment”. Isso me lembra de outra frase de um texto budista: “the root of suffering is attachment

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Não se apega ao resultado. Ao invés, seja feliz com o aprendizado gerado pelo MVP. O aprendizado vai te gerar sabedoria, como por exemplo: (1) sim, vamos nessa direção pois o resultado –os números– indica que vale a pena, ou (2) vamos pivotar (mudar de direção) pois o resultado –os números– indicam que devemos tentar algo diferente..

Um exemplo de empreendedorismo

Considere esse exemplo: Luiza, uma empreendedora, tem uma ideia de um produto para vender vestidos infantis on-line. Agora, considere esses dois cenários ilustrativos.

No primeiro cenário suponha que a ideia é maravilhosa, e assim que tiver o site funcionando, Luiza vai vender mais de duzentos vestidos por semana, resultado que ela considera excelente.

No segundo cenário suponha que a ideia não vai se provar. E, assim que tiver o site funcionando, Luiza vai vender menos de 10 vestidos por semana resultado que ela considera péssimo.

Se Luiza buscar resultado, ela vai ficar feliz com
o primeiro cenário e muito triste com o segundo cenário. Mas se Luiza trabalhar com a filosofia de MVP e, ao invés de buscar resultado, buscar aprendizado, ela vai ficar muito satisfeita independente do cenário, pois ela terá dados importantes para decidir se leva a ideia adiante, ou não.

Trabalhando com MVP, Luiza não vai criar o site todo, mas somente o mínimo viável para obter o aprendizado sobre o interesse do seus possíveis clientes na compra de vestidos online. Na busca do aprendizado, em poucos dias (tempo estimado para criar o MVP mais o tempo de coleta de dados sobre o interesso pelo produto), Luiza consegue validar (ou invalidar) a sua ideia.

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Luiza vai criar o MVP para buscar aprendizado. Se a ideia se provar maravilhosa, ela vai ficar bem satisfeita, vai evoluir seu produto (além do MVP) com passos mais firmes, e segura de que vai ter um bom retorno ao seu investimento. Mas, em contrapartida, se a ideia não se provar lucrativa sua satisfação será enorme pois ela conseguiu invalidar a sua ideia sem gastar muito tempo, dinheiro e esforço. E vai poder decidir seu próximo passo: O que fazer diferente para seguir empreendendo nesta área de interesse.

Para os negócios e para a vida

“Act without expectation” — Lao Tzu

Atue sem expectativas (ou com poucas). Eu recomendo! Seja para a vida, ou para seu próximo empreendimento. Vai lá, elabore o MVP, o produto mínimo viável, e valide suas hipóteses antes de criar muitas expectativas ou se apegar a algo.

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Paulo Caroli

Paulo Caroli is an author, speaker, and consultant specializing in agile transformations, Lean Inception, and OKRs. With over 30 years of experience—including nearly a decade in Silicon Valley and 18 years at ThoughtWorks—he has helped organizations transition from project to product and from strategy to execution. Creator of the Lean Inception methodology and author of bestselling books like Lean Inception and Team OKR, Paulo is dedicated to empowering teams to align, validate, and deliver real business value.
O MVP Morreu?

O MVP Morreu?

O MVP Morreu? Não, Está Mais Vivo do Que Nunca! Apesar de muitos artigos anunciarem que o MVP morreu, o conceito de Minimum Viable Product continua essencial no desenvolvimento ágil de produtos. O MVP, popularizado pelo movimento Lean Startup, ainda é a melhor ferramenta para validar hipóteses rapidamente e aprender com o feedback do mercado. O que mudou foi o surgimento de novas siglas, como MLP e MMF, que tentam refinar o conceito, mas muitas vezes criam confusão. O problema não está no MVP em si, mas na forma como é aplicado. O MVP não morreu – ele evoluiu e continua sendo uma peça-chave na construção de produtos digitais de sucesso.

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