Eu sou o Paulo Caroli e este é o Podcast Mínimo Viável, onde compartilho conhecimento sobre as novas relações de trabalho e, assim, contribuo para a transformação de um mundo melhor.
No episódio de hoje, eu quero compartilhar tudo que está passando pela minha cabeça antes de facilitar uma Lean Inception, acho que uma das mais importantes que eu vou facilitar na minha vida.
Como vocês sabem, infelizmente, está acontecendo a guerra na Ucrânia e muitos refugiados vão para a Polônia. Eu moro aqui na Espanha e tenho muitos amigos na Alemanha. Nos últimos anos, trabalhei muito entre Espanha e Alemanha fazendo muitas Inceptions, trabalhando com produtos digitais.
Nós, na empresa em que eu trabalho, estamos preocupados, querendo ajudar de alguma forma os refugiados, essa situação e, é claro, a gente tenta ajudar com aquilo que a gente sabe, no meu caso Lean Inception e produto digital. Alguns amigos da Alemanha envolvidos em grupos e organizações que ajudam os refugiados entraram em contato comigo e agora eu vou ajudar eles daqui a duas horas em uma Inception para alguma solução, um produto, uma plataforma para refugiados que estão chegando, especialmente agora, na Alemanha.
De alguma forma, a gente quer aproximar não somente os refugiados, são os voluntários, as pessoas que querem ajudar os refugiados, conectando eles de alguma forma com as pequenas organizações, pequenas igrejas, pequenos grupos de ajuda para facilitar essa comunicação, essa aproximação, de recursos a refugiados, especialmente, organizações menores.
Nos dois dias, eu pegando todo o meu conhecimento, conversando com outras pessoas… e aí, o que a gente faz? Então, a primeira coisa, sendo muito franco, eu baixo todas as guardas, todo aquele racional de olha… Lean Inception tem que ser uma semana. Não, não é assim, até porque as pessoas que estão envolvidas nisso elas não estão disponíveis.
Diferente de fazer uma Lean Inception para a empresa, que é questão de priorização, da pessoa dedicar o tempo para aquilo que ela vai fazer. Nesse caso, as pessoas estão ajudando os refugiados, então, eu não posso tomar o tempo delas, tem que ser o mínimo possível. Então, realmente, a gente tem que exercitar muito para fazer o máximo, o mais lean possível.
Uma conversa que eu tive bem interessante com essas pessoas, com algumas dessas pessoas, foi: tá, e quanto a gente faz de pesquisa prévia ou sai direto e faz uma Lean Inception? E depois de conversar, eu cheguei à conclusão que a gente precisa muito fazer uma Lean Inception reduzida, mas muito rápido, porque a situação é muito dinâmica, as coisas estão mudando muito rápido, ou seja, a gente, nós, um grupo pequeno, estamos criando alguma coisa, mas, com certeza, têm milhares de grupos criando alguma coisa.
Então, é sim um ambiente muito complexo, com mudança muito rápida. Se a gente for fazer pesquisa com usuário, com as pessoas estão chegando, com as organizações, o que a gente souber hoje vai ser muito diferente de como vai estar daqui a um mês.
Então, sim, a gente vai fazer uma pesquisa mínima né, procurar pesquisar o que já tem pronto, mas não adianta a gente gastar muito tempo com isso que essa mudança, a situação é muito rápida, de uma semana para outra vai mudar muito rápido. Então, sim, tem muito benefício trabalhar com o conceito de Lean Startup, que é o tal do construir-medir-aprender.
Construir muito rápido e saber que o ambiente ao nosso redor vai estar mudando muito, muito rápido, então, a gente tem que criar alguma coisa simples, rápida e que consiga dar visibilidade para a gente do aprendizado de o que a gente precisa construir a mais? O que a gente precisa fazer? O que a gente pode mudar?
Eu falei até isso numa reunião ontem, que seria como se fosse uma conversa entre o Tim Brown da IDEO, que para mim representa o Design Thinking, o design centrado no usuário e o Eric Ries, que escreveu o livro The Lean Startup, que, para mim, representa muito do movimento Lean Startup.
Então, eu imagino né, na minha cabeça, que ele ia falar: não, espera aí, deixa eu ir no campo de refugiados, deixa eu ver essas pessoas, deixa eu conversar com as pequenas organizações, entrevistar e entender elas. Tá, seria o que o Tim Brown ia fazer, ia correr para fazer isso, para entender e pensar em qual a melhor solução, o que ele pode fazer para ajudar essas pessoas.
Eric Ries, com outra forma de pensar, pelo menos na minha cabeça, no que ele traz para a gente como Lean Startup, ele ia falar: não, pera aí cara, não adianta correr, entrevistar as pessoas, o mundo está mudando muito rápido. Vamos criar um mínimo viável, um MVP, o Produto Mínimo Viável para colocar logo na mão dessas pequenas organizações, desses voluntários, para ver como a gente ajuda eles e gerar aprendizado com esse MVP para decidir o que a gente faz em seguida, como a gente segue ajudando, aumentando, incrementando esses produtos, essa solução para ajudar mais gente e mais organizações.
Inicialmente nesse contexto, eu sempre vejo isso como um equilíbrio numa balança, tem que fazer um pouco de Design Thinking e entender o usuário antes de propor e validar suas hipóteses, mas nessa situação super dinâmica, esse contexto super complexo e mudando tão rápido, como é uma situação de guerra, de uma semana depois da guerra, eu sou mais Lean Startup.
Eu acho que a gente vai se juntar, vai fazer uma Lean Inception, dessa vez eu estou super de acordo ela vai ser em duas tardes, não vai ser cinco dias, vai ser somente duas tardes e a gente vai sair dela com, realmente, um Mínimo Viável para testar, para validar, para botar na mão de, provavelmente, uma pequena organização, em algum lugar que a gente já conheça ali na Alemanha e, se der certo, vai para outra, vai para outra, só que aí já com um aprendizado dos primeiros voluntários, das primeiras organizações que estarão usando esse MVP.
Com a otimização do tempo e das pessoas que, por mais que eu queria ter, têm duas pessoas super importantes que conhecem o trabalho voluntariado, que estão nesses locais e fazem a ponte com as organizações, eu não posso pedir para elas se ficam comigo né cinco dias. Jamais né, dois dias, duas tardes é muito tempo para elas, porque ajudam muitas, muitas pessoas.
É uma hora para elas estarem com a gente no início no kick-off, têm duas pessoas que fizeram um pouco de User Research, então, elas vão trazer esse conhecimento atual que a gente tem sobre o assunto. Essas duas pessoas stakeholders super valiosas, que têm muito contexto, eu pedi para elas estarem uma hora para a gente fazer um kick-off, elas trazerem a informação delas, a gente compartilha o que a gente sabe hoje de User Research e, logo após o kick-off, a gente já vai para a primeira atividade, que é a visão do produto.
É exatamente aquela frase do Jeffrey Moore: para, para quem é isso, cujo, qual a necessidade ou vamos dar um nome para isso, tentar entender o que é isso, é uma plataforma, é um produto, é um pedaço de um produto para se conectar com outros, o que é isso; que as principais características do nosso produto e o diferencial primário dele, isso é super importante, porque a gente tem que imaginar que vai estar num ecossistema de muitas soluções para ajudar os refugiados, só que são soluções muito rápidas.
Está todo mundo criando solução em curto prazo. Então, a gente vai ver como é que a gente adiciona esse ecossistema. Então, para mim, essa visão do produto se eu conseguir fazer ela com esses stakeholders vai ser muito importante para entender, extrair deles qual é a visão que eles têm atualmente disso.
Provavelmente, eu vou liberar eles para seguirem fazendo o trabalho maravilhoso que eles fazem e a gente vai seguir as atividades da Lean Inception. Eu decidi não alterar nenhuma depois do que é, o que não é, o que faz, o que não faz, exatamente, porque como vai ter muitos outros produtos, outras soluções, a gente precisa entender quais os bounders, quais os limites disso que a gente está propondo, os principais objetivos deste produto, eu imagino que a gente tenha objetivos super importantes para deixar claro e declarar esses principais objetivos.
As atividades de personas e jornadas, essa a gente está é populando previamente com a informação que a gente tem de UX Research. A gente vai repassar ela, porque têm pessoas, são vários voluntários que estão nos ajudando a criar esse produto, então, persona e user journey já têm um board no Mural criado, já estão populando esse board e com a informação que a gente já tem e vamos repassar durante a Inception para todo mundo ter esse entendimento sobre as principais personas envolvidas.
Especialmente depois da gente definir a visão do produto é-não é-faz-não, vai, sim, fazer um brainstorming de features, de ideias, de atividades, de soluções para ajudar essas personas nas suas jornadas, algumas delas difíceis jornadas e como é que a gente vai fazer para ajudar, para melhorar a experiência realmente dessas pessoas e fazer, na sequência, uma revisão técnica de UX, de experiência do usuário e de negócios, o negócio imaginando que sejam essas pequenas organizações e o UX, as experiências das pessoas, dos voluntários, dos refugiados e tecnologias, sim, o que alguns de nós né, engenheiros, consegue fazer.
A gente realmente precisa de entender o que é muito mais valioso para as pessoas, principalmente, para esse negócio, para as pequenas organizações e com menos esforço, porque o tempo é muito crítico. Imagina a quantidade de pessoas que está chegando a cada dia.
A gente vai ter que trabalhar com o conceito de MVP, porque não é só botar essas funcionalidades em uma ordem e sair programando, entregando, porque como esse é um ambiente muito complexo, que as coisas estão mudando muito rápido, a gente precisa muito trabalhar com o conceito de MVP para ajudar a gente e pessoas futuras, voluntários futuros que que vão vir adicionar a esse produto digital, essa solução que a gente está fazendo. Fazer elas entenderem, porque a gente está fazendo isso agora e não aquilo.
Com a Lean Inception, eu estou assumindo que vai ter um valor muito importante, não só para definir essa estratégia inicial do produto MVP, mas, também, para documentar isso, para facilitar o onboarding das pessoas que vão entrar, porque são vários voluntários que vão se ajudar.
Outra parte, isso eu vou fazer depois da Lean Inception, para maximizar o tempo de todo mundo, é documentar essas decisões iniciais que foram feitas e documentar muito bem esse MVP para novas pessoas entrando, o onboarding delas você faz para elas entenderem né, espero que em meia hora ah, tá… essa é a visão, está aqui o que eles estão fazendo, estão aqui neste momento imagino no sequenciador e o MVP que já está pronto ele está ali naquelas duas organizações, na cidade da Alemanha e o resultado que a gente espera é esse… Espera aí, já tem o resultado, não tem.
Eu vou buscar uma forma de acompanhar o pós Lean Inception, de como as pessoas têm um onboarding efetivo e entendam o que está acontecendo e quem está fazendo o quê.
É isso que eu queria compartilhar com você hoje. É um episódio um pouco emocional para mim. Eu achei importante compartilhar pela parte do facilitador, o que passa na cabeça de um facilitador, especialmente, quando a gente tem o nosso processo, os nossos métodos, falar em Lean Inception são cinco dias e tal.
E quando você tem que baixar todas as guardas falar: não, pera aí, o que é o mínimo né. Eu tenho conhecimento não só de Lean Inception né, mas de Design Sprint, de ideação, de várias coisas, então, realmente, eu estava pensando muito forte: cara, é Lean Inception, não é, a gente devia estar fazendo ideação e refleti, não, não é o momento de fazer ideação, porque, sim, ideação é importante, mas o brainstorming vai acontecer dentro da Lean Inception, porque eu quero muito rápido, eu quero daqui a uma semana já ter alguma coisa ajudando essas pessoas, esses voluntários.
Eu sei que com o MVP a gente consegue isso, não precisa ser um produto enorme, pode ser um Google Sheets assim. A gente vai buscar alguma forma muito rápida e efetiva de ajudar e a gente vai validar se a gente está ajudando ou não está. Se tiver, aí sim, como que melhora isso, talvez seja um website, seja não sei o quê. Mas, assim, a gente precisa começar simples e rápido.
Então, realmente, eu queria trazer isso para você. Para mim é o cerne do conceito do MVP e, infelizmente, essa necessidade agora é muito grande e isso é muito, muito mais forte do que um produto digital de uma empresa que está tentando atrair pessoas para vender mais ou para aquilo.
Esse para mim, realmente, tem uma causa muito, muito impactante!
E aqui o episódio de hoje. Espero que você tenha gostado. Eu te peço para se inscrever e recomendar esse podcast na sua plataforma de podcast preferida, como Spotify e YouTube, e nas redes sociais. Ou, como eu prefiro: recomende aos seus amigos. Assim, você me ajuda com a missão de compartilhar conhecimento sobre as novas relações de trabalho, de forma a contribuir para a transformação de um mundo melhor.
>>> Temos mais uma novidade: se você gostou desse episódio, escreva um review na sua plataforma de podcast preferida e nos envie um e-mail com um print para [email protected]. Os cinco primeiros e-mails vão ganhar um livro a sua escolha.
Notas do episódio

agenda super reduzida (recomendada somente em casos extremos, como este)
Confira uma agenda típica da Lean Inception.
>> Adicione nosso podcast a sua playlist





