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Episódio 11: Qualquer membro do time pode ser um facilitador na LI? Depois de rodar a primeira Inception, qual seria a cadência ideal para revisitar em uma nova dinâmica?

24 fev 2022

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Eu sou o Paulo Caroli e este é o Podcast Mínimo Viável, onde compartilho conhecimento sobre as novas relações de trabalho e, assim, contribui para a transformação de um mundo melhor.

Neste episódio, você vai conferir se qualquer membro do time pode ser facilitadora da Lean Inception e ainda vamos conversar qual é a cadência de atualização após rodar a primeira Lean Inception do seu time. Estamos participando eu, a Cristiane ‘Coca’ Pitzer, a Luana Monteiro, o Luiz Gustavo Amorim e o Renato Borba.

 

Mediadora Duda Chaieb lê a pergunta recebida: “Já temos a próxima pergunta, obrigada Fran: Qualquer membro do time pode ser um facilitador na Lean Inception ou precisa ter um conhecimento ou um papel específico?”

Luiz Gustavo Amorim: Eu diria que não pode ser pessoa de produto. Não pode ser, por exemplo, quem vai trazer a visão de produto, quem tem que trazer um pouco os objetivos, os desafios. É bom não ser essa pessoa, é bom que ela fique com o papel protegido de poder propor e que ela saia de cena quando alguém tiver organizando a dinâmica.

Também não pode ser alguém do time por conta do risco de essa pessoa pesar muito. Ou a perspectiva de engenharia de software, ou a perspectiva de design, ou uma perspectiva de negócios, de dados. É importante ser uma pessoa que vá começar na segunda-feira e terminar na sexta-feira balanceando bem todas as perspectivas, todas as participações.

Então assim, na dinâmica, por exemplo, ali do que e do como, em que a gente tenta extrair o máximo de todo mundo para aumentar a visibilidade sobre o que vai ser feito e tentar colocar na mesa, de maneira branda, todos os riscos, se a pessoa tiver algum viés, se for alguém de produto ela pode tentar dizer que, sim, todo mundo sabe o que é para ser feito, quando, na verdade, só está na cabeça da pessoa né, porque ela é de produto.

Se for uma pessoa de engenharia, ela pode pesar muito a mão para dizer que não é tão atingível, que é muito complicado de fazer ou não é e tal. Então, eu diria que tem que ser alguém neutro dessas três perspectivas: de design, de engenharia e de produto. Tem que ser alguém que não está em nenhuma delas.

Cristiane ‘Coca’ Pitzer: Eu diria que a pessoa facilitadora da Lean Inception, primeiramente, ela precisa ser treinada. Então, ela precisa conhecer toda a teoria por trás, precisa ler o livro e precisa já ter vivido aquilo de par com alguém mais experiente. Eu diria que essa é a primeira coisa.

Muitas vezes, não é sobre o produto em si, mas é sobre as técnicas de facilitação. Como que você mediu um conflito, como que você levanta a energia da galera, como que você traz a atenção para um ponto específico, como que você refazer perguntas de modo que você consiga interação e as respostas que você está buscando. Então, tem toda uma fortaleza ali de facilitação que precisa existir nessa pessoa facilitadora.

Não recomendo alguém se jogar nisso sem receber o treinamento, ler livro, sem já ter pareado com alguém. Fora isso, eu concordo com você de dizer que também acho: não pode ser uma pessoa que esteja envolvida, porque ou você participa da tomada de decisão, ou você facilita. Não dá para você ocupar os dois papéis.

Luana Monteiro: Perfeito. Eu até brinco assim que não coloquem um PO, não coloquem um PO para facilitar uma Lean Inception. Muitas vezes, as pessoas que não têm ainda total clareza de como as dinâmicas vão ocorrer, vem já com essa ideia de que o PO pode facilitar. Já vem com isso muito enraizado, nos treinamentos pelo menos eu percebo muito ah, mas não pode ser o PO? Não, não seria legal, porque vai enviesar, além de trazer o viés dele ali totalmente e a deixar de fato de poder contribuir no momento onde ele é crucial para ajudar o time, direcionar, enfim, o negócio e a estratégia do produto.

Então, eu sempre recomendo que seja alguém de fora do time, empresta um facilitador do time do lado né, eu até brinco. Quanto mais essa pessoa for imparcial sobre o grupo, sobre aquele produto, não fizer parte, não entender sobre ele fora do contexto, eu acho que mais limpo sai o produto no final em relação à discussão mesmo de solução. De fato, como a Coca colocou muito bem aqui, é uma pessoa que, realmente, precisa conhecer o método, as técnicas, porque não é somente… a facilitação tem muito muito ali daquela coisa de equilibrar, feeling. Poxa, a gente passou mais tempo em uma dinâmica do que outra, como é que a gente faz aqui para adaptar e não ter impacto em nenhuma das outras atividades, por exemplo.

Então, eu acho que só quem já tem um pouco dessa experiência sabe como lidar com alguns imprevistos que podem ocorrer. É 100%, quase impossível nenhuma ter nenhum imprevisto, então, assim, eu acho que saber lidar com esses imprevistos é fundamental também para facilitar.

Mediadora Duda Chaieb lê outra pergunta recebida: “Então pessoal, o Henrique tem uma pergunta para vocês que é: Depois de rodar a primeira Inception de um determinado produto, qual seria a cadência ideal para revisitar/atualizar em uma nova dinâmica?”

Paulo Caroli: Deixa eu já começar respondendo essa do Henrique, essa excelente pergunta. Porque você faz uma Lean Inception, inevitavelmente, seu time alinhou, decidiu o MVP, vai colocar o MVP na mão de usuários finais e vai começar a ter feedback dos usuários., vai ter nova informação do negócio… e aí, o que você faz?

A gente está falando aí de 2, 3 meses depois fazer outra Lean Inception? Não é necessário. Geralmente, você tem que fazer é algum outro tipo de workshop muito curto. Aliás, até no Lean Inception Pocket, que a gente tem mais tempo, porque é um treinamento gravado,  tem até um módulo que é sobre isso. Acho que a gente chamou de 4 passos para realinhar sobre produto.

Eu gosto muito do ciclo de OKR. Um OKR a cada trimestre, aproveite e use o ciclo de OKR para verificar objetivos e os resultados-chave que a gente queria alcançar com essa formação, essa iniciativa que tinha esse produto como solução. Aproveita o ciclo do OKR e faz um workshop curto para realinhar sobre o produto. Não faça toda uma Lean Inception, a menos que você esteja pivotando e descobriu que aquela iniciativa deu errado, você precisa pivotar completamente, realinhar sobre uma nova frente de produto é uma Lean Inception. Se esse não for o caso, é um workshop menor para realinhar. Gostaria de ouvir a Coca e o Borba com relação a isso e o Luiz também.

Renato Borba: Eu acho que a primeira coisa, se você já tem cadência, se você já tem cadência dentro da empresa igual o Caroli comentou no início, de PI Planning. Então, se você já roda PI Plannings, então, de 3 em 3 meses, o portfófio ou o backlog de toda a empresa ou, pelo menos, uma cadeia de valor é analisada, talvez esse seja o touchpoint para você pensar onde, o que você deve fazer ou entrar com algumas Inceptions.

E aí, tem “n” casos, você pode entrar com uma Lean Inception para definir qual é o objetivo do seu ciclo de PI Planning. Então, é antecedendo até PI Planning, ou dado os produtos que entram no seu backlog, na sua PI Planning, você pode incluir na primeira semana, assim para talvez alguns produtos com a PI Planning, então vai muito de como que a empresa vai lidar com a Lean Inception, como que ela lida com o produto, qual que é o nível de maturidade que ela está.

Então, não existe, necessariamente, uma cadência ideal, mas analise as cadências que a empresa mesmo tem e veja onde tem sentido utilizar a Lean Inception ali para evoluir, para entender os MVPs e para evoluir os produtos dentro da empresa.

Um outro ponto: o ponto de você analisar o que o produto precisa faz parte do dia a dia, normalmente, das pessoas de produtos. Então, o Product Owner e o Product Manager estão analisando os produtos no dia a dia delas, estão analisando métricas, estão analisando os resultados do MVP ou do produto como um todo, as métricas que que envolvem ele.

Então, no fim das contas, a qualquer momento você pode rodar uma nova Lean Inception. Poxa, minhas métricas estão me dizendo isso, isso e isso e acredito que uma nova Lean Inception seria necessária, porque eu preciso talvez reinventar ou um modificar um produto, ou pivotar alguma ideia que eu preciso analisar quais features que vão fazer parte disso. Então, você pode usar as cadências que a empresa já têm, mas aí vai muito do trabalho do PO, do Produtc Owner, do Product Manager olhar para os problemas que ele têm ali, para o produto deles em si e ver poxa, agora tem sentido rodá-la, porque o meu produto está pedindo novas definições que eu não consigo isso através do meu ciclo de Sprint, do meu fluxo Kanban ou de qualquer outro método que você utilize.

Cristiane ‘Coca’ Pitzer: Eu vou falar rapidinho, também, eu acho que a resposta depende né, depende muito como vocês falaram da cadência das empresas, depende muito do ritmo da equipe que está produzindo aquele produto, depende muito dos ciclos de tomada de decisão, depende muito do que acontece no mundo né.

Você tem um MVP e de repente vem uma pandemia. O que você tem que fazer? Tem que ir lá e revisitar o que você tinha pré-definido, porque as coisas vão afetar. O que acontece é que no mundo, na tecnologia, com as pessoas, enfim, tudo afeta. Então, eu diria depende, mas eu sugiro assim: primeiro, saiu da Lean Inception com o MVP, você vai transformar aquilo num backlog para você começar a produzir aquele MVP.

Uma vez que você comece a entender com que frequência você consegue fazer release e colocar algum valor na frente dos seus usuários para já ir validando parte das hipóteses que você tem, eu sugiro sempre ir lá e revisitar. Se está tudo alinhado, mais fácil, mas se está desalinhado, você precisa estar vendo com mais frequência.

Luiz Gustavo Amorim: O Coca, uma boa pergunta a do Henrique, porque o projeto ele é vivo. Então, eu já participei de Lean Inception que saiu com 7 MVP Canvas. O projeto, o sequenciador era tanta coisa planejada para fazer que saía com 7, 9 MVP Canvas de grande release. O que aconteceria era que, depois do terceiro MVP Canvas entregue, os números do projeto iam apontando novas direções e a gente literalmente rasgava alguns MVP Canvas.

Então assim, cara nós vamos fazer isso aqui, vamos priorizar isso e o que é muito legal desse modelo de Lean Inception é que ele entrega essas decisões um pouco mais para o time e empresas que ainda são muito hierarquizadas vão se beneficiar de uma situação em que o próprio time vai conseguir olhar para os números, para os resultados alcançados, para as mensurações e falar: cara, não faz sentido continuar investindo mais em SEO ou não tenho que fazer aqui e aí cancela um MVP Canvas que priorizou só de SEO que estava ali na frente.

Ou, em alguns momentos, você entregou tudo e o OKR e simplesmente não anda, seca a fonte de ideias para poder atacar aquele key results que você queria fazer, o objetivo vai apertando um pouco mais ou por causa de uma pandemia, que muda o fluxo de pessoas, de consumo ou qualquer outro motivo e aí você tem que volta para a sala e renegocia tudo junto. Então, eu acho que depende de como a sua empresa está lidando com o que saiu da Lean Inception, entendeu, como é que seus OKRs estão reagindo a tudo que você está entregando.

Cristiane ‘Coca’ Pitzer: Perfeito, eu também já vi várias Lean Inceptions que o pessoal queria fazer um sequenciador gigantesco em vários Canvas e aí eu errei duas vezes permitindo que isso acontecesse. A partir da terceira vez, eu falei: galera, não, vamos fazer isso aqui e aí depois a gente volta, revisita e a gente cria outros sequenciadores, a gente cria outro Canvas. Se não, é muito desperdício de energia né, muita expectativa colocada ali por uma coisa que não vai acontecer.

Luiz Gustavo Amorim: É mas eu já vivi o outro lado da moeda, por ter conseguido colocar tudo que a galera observou de alguma forma sequenciada, nos MVPs. É claro que depois do terceiro, quarto MVP, não estava tudo tão descritinho, com métrica e tal, mas todo mundo se sentiu muito dono do projeto. Então, equalizou muito que todo mundo tinha voz. Então, no momento que precisou rasgar o planejamento, estava todo mundo muito seguro disso, ninguém estava se sentindo preterido de alguma forma.

Então, esse empowerment que dá, essa horizontalizada que dá é boa também. Bota no papel, agora eu confesso que eu liguei pro Caroli… eu falei caraca, Caroli, a gente planejou um monte e ele falou: cara, deixa planejado, o papel aceita tudo. E quando eu precisei rasgar, ele falou: rasga, joga isso fora e faz de novo.

 

E aqui o episódio de hoje. Espero que você tenha gostado. Eu te peço para se inscrever e recomendar esse podcast na sua plataforma de podcast preferida, como Spotify e YouTube, e nas redes sociais. Ou, como eu prefiro: recomende aos seus amigos. Assim, você me ajuda com a missão de compartilhar conhecimento sobre as novas relações de trabalho, de forma a contribuir para a transformação de um mundo melhor.

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Notas do episódio

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