Criar um roadmap do produto parece simples, mas tem seus desafios. Se for muito vago, o time se perde. Se for muito detalhado, engessa a evolução. Como encontrar o equilíbrio? Vamos falar sobre isso!
O que é um roadmap do produto?
O roadmap é o caminho desejado para a evolução do produto. Ele serve para dar clareza ao time sobre onde queremos chegar e quais passos seguir. Mas atenção: roadmap não é um release plan.
Roadmap ≠ Release Plan
Um erro comum é detalhar demais o roadmap, especialmente a longo prazo. Quanto mais distante no tempo, maior a incerteza – e menos sentido faz tentar prever tudo nos mínimos detalhes.
A principal diferença entre um roadmap e um release plan é que o release plan contém datas de entregas esperadas, enquanto o roadmap define a direção estratégica, sem necessariamente especificar prazos para cada entrega.
Por envolver datas, o release plan tende a ser mais detalhado que um roadmap. Agora, pense na perspectiva do time: se há uma cobrança por prazos, é preciso detalhar mais o trabalho para conseguir “estimar” melhor. Isso exige mais tempo e esforço do time.
Minha experiência também reflete essa distinção: quando trabalhava com projetos, usava mais a palavra release plan. Já quando o foco passou a ser a evolução contínua de um produto, passei a usar roadmap.
Como direcionar o roadmap?
1️⃣ Se eu uso OKRs, meu roadmap deve ser guiado por eles?
✅ Sim! Se sua empresa trabalha com OKRs, o roadmap deve estar alinhado a eles.
Os Objetivos (O) definem a direção, enquanto os Key Results (KRs) ajudam a medir o progresso. Dessa forma, seu roadmap garante que o time esteja caminhando na mesma direção dos objetivos estratégicos da empresa.
2️⃣ E se eu uso User Story Mapping?
✅ Sim! Se você utiliza User Story Mapping (USM), seu roadmap pode ser orientado por ele.
O USM estrutura a jornada do usuário e define as histórias de usuário necessárias para completar essa jornada. O roadmap pode ser criado com base na sequência dessas histórias, priorizando as mais importantes no topo.
3️⃣ E se meu foco for técnico? Posso usar Event Storming?
✅ Sim! Se você trabalha com Event Storming, ele pode ajudar a estruturar o roadmap técnico.
O Event Storming mapeia os componentes técnicos e suas interações. Para equipes técnicas, isso é essencial para definir um roadmap baseado nas necessidades arquiteturais do produto.
Mas Meu Time é Multifuncional! E Agora?
Seu time é composto por diferentes perfis, cada um com uma visão específica do roadmap:
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Pessoas de negócio: Querem um roadmap alinhado aos OKRs.
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Pessoas de UX: Pensam na jornada do usuário e no User Story Mapping (USM).
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Pessoas técnicas: Priorizam a arquitetura e usam Event Storming.
Mas quem fala mais alto? Digo sim a todos?
A resposta é simples: todos falam bem alto (ou melhor, todos expõem seus pontos de vista), na Lean Inception!
Lean Inception: O Caminho para um Roadmap Alinhado
Na Lean Inception, o time passa por atividades que ajudam a alinhar diferentes perspectivas:
✔️ Visão e Objetivos do produto (visão de negócio)
✔️ Personas e jornadas (visão de UX)
✔️ Brainstorming e revisão técnica (visão de tecnologia)
A grande sacada da Lean Inception é o sequenciador. Ele é, na prática, o roadmap do produto, pois mostra o que deve ser construído e em qual ordem.
Quem Decide o Roadmap?
O time, de forma colaborativa! Afinal, todos passaram por um processo estruturado para entender diferentes perspectivas e possíveis soluções.
Se o time decidir seguir uma abordagem mais alinhada aos OKRs, ótimo! Se preferir priorizar a jornada do usuário, perfeito! Se precisar validar um aspecto técnico antes, excelente! Ou se for uma combinação de tudo isso? Melhor ainda!
O importante é que a decisão seja compartilhada e visível para todos. E é exatamente isso que acontece no sequenciador.
“Mas eu sou Product Manager e quero que o time siga a minha visão!”
Opa, vamos lá! Você tem duas opções:
1️⃣ “Eu mando, vocês obedecem.” (Eu não recomendaria isso nos tempos atuais.)
2️⃣ “Eu explico, convenço e influencio o time.” Nesse caso, o roadmap fica visível no sequenciador, e ele é construído juntos.
Não sei qual é o seu estilo de liderança, mas recomendo fortemente a opção 2. Ter o time ao seu lado sempre será a melhor estratégia.
Mas espera aí… o roadmap não deveria ser menos detalhado? Afinal, Roadmap ≠ Release Plan
Sim! E é por isso que, após definir o roadmap, existem duas atividades essenciais para garantir que o time tenha clareza sobre os próximos passos sem perder a flexibilidade:
1️⃣ Canvas MVP
No Canvas MVP o time detalha o incremento do produto (identificado no Sequenciador, no início do Roadmap) sob a perspectiva de Lean StartUp e o concieto de Produto Mínimo viávek (MVP), garantindo que ele:
✅ Valide rápido a hipótese de negócio
✅ Gere aprendizado para as próximos incrementos do produto
✅ Minimize riscos ao seguir no Roadmap planejado
2️⃣ Product Backlog Building (PBB) Canvas
No PBB o time detalha as primeiras funcionalidades do roadmap, transformando-as em histórias de usuário para planejar as próximas sprints.
Dessa forma, o roadmap continua enxuto, mas o trabalho do time ganha clareza para a execução.
Um Roadmap do Produto é Feito pelo Time, para o Time
Criar um roadmap do produto equilibrado não é sobre prever cada detalhe do futuro, mas sim garantir que o time tenha clareza sobre a direção e flexibilidade para adaptação.
✅ Mantenha o roadmap estratégico – ele deve orientar, não engessar.
✅ Alinhe com as diferentes perspectivas do time – negócios, UX e tecnologia.
✅ Use a Lean Inception para construir um roadmap em equipe.
✅ Use o Canvas MVP para definir o primeiro passo do roadmap e validar hipóteses antes de investir mais.
✅ Transforme o roadmap em ação – com o PBB Canvas, detalhando as primeiras funcionalidades e preparando o backlog enxuto para execução.
Um roadmap eficiente não é definido por uma única pessoa, mas construído coletivamente para refletir a realidade do time e do produto. E aí, seu roadmap já está alinhado? (Continue essa conversa no LinkedIn)







